CHAMADA GERAL – EPOPÉIA

Por Gilberto M. M. Santos
Data: 1 dezembro, 2004

Título: CHAMADA GERAL – EPOPÉIA (Editora Ebal) – Edição especial de aniversário

Autores: Pedro Anísio (roteiro) e Eugênio Colonnese (desenhos).

Preço: Distribuição gratuita, mediante cupom

Número de páginas: 32

Data de lançamento: Maio de 1970

Sinopse: Pensada para ser, simultaneamente, um presente para os leitores e um panfleto de aclamação ao trabalho da Ebal, a edição especial de comemoração de 25 anos da editora, constitui um bom exemplo do uso da metalinguagem nos quadrinhos.

A história começa com uma imagem de página inteira, na qual uma plataforma espacial envia uma mensagem de “Chamada Geral” pelo tecido espaço/temporal. A trama pode ser dividida em três fases. Na primeira, os diversos personagens publicados pela editora recebem a misteriosa comunicação.

É deveras prazeroso e esdrúxulo acompanhar a profusão de personagens que circulam por aquelas páginas. Participam da história clássicos (Flash Gordon, Tarzan, Buck Rogers), infantis (Tom & Jerry, Mickey, Chapeuzinho vermelho), históricos (José de Anchieta, Fernão Dias, D. Pedro), super-heróis (Batman, Demolidor, Super-Homem) e até a Tia Arlete, a linda lourinha que apresentava desenhos animados em seu programa de TV. Sem dúvida, o maior e mais insólito crossover de todos os tempos.

A segunda fase da história se inicia com uma página central dupla, colorida, mesclando uma foto panorâmica do prédio da Ebal e desenhos dos personagens chegando à editora.

A narrativa passa, então, de objetiva a subjetiva. O próprio Adolfo Aizen explica aos personagens que eles foram convidados para a comemoração do aniversário da editora e, como esquisitice pouca é bobagem, começa a contar “telepaticamente” a história da Ebal e de suas publicações.

Eis que começa a terceira fase, surgem novos personagens e mais um narrador subjetivo, um garoto magrinho, cabeçudo e com óculos desproporcionais ao tamanho do rosto, que passa a ciceronear os convidados, conduzindo-os pelas instalações da editora.

O garotinho era ninguém menos que Otacílio d’Assunção (o quadrinhista Ota), que na época era funcionário da Ebal. No final da história, os convidados cantam a tradicional canção… Parabéns pra você.

Positivo/Negativo: Alguns personagens não apareceram na festa, mas, pensando bem, será que existe alguma em que todos os convidados estejam presentes?

O texto é despretensioso e encomendado com especificações para um determinado fim. Tendo isso em mente, o leitor que tiver a sorte (enorme) de encontrar esta preciosidade em sebos vai se divertir e perceber que o Pedro Anísio, se não foi genial, foi eficiente, transformando um roteiro que poderia ser ridículo, numa história charmosa, com a ingenuidade característica da era Ebal.

A arte está perfeita, uma verdadeira aula. Colonnese passeia por diferentes estilos de desenhos com a facilidade própria de um mestre, utiliza hachuras e desenhos limpos, sombras e luz, desenhos chapados e outros com profundidade e perspectiva. Não bastasse a versatilidade demonstrada, apresenta ainda pluralidade de planos, enquadramentos e formatos de diagramação de páginas.

Pode ser notada uma economia no uso de onomatopéias, mas, com certeza, elas estavam lá. Apenas não foram percebidas, devido ao barulho. Afinal, era dia de festa.

Na segunda capa é apresentado um texto explicativo com o histórico da editora, a listagem dos personagens que participaram da edição e indicação da revista em que foram publicados pela primeira vez, além da relação das empresas que detinham os copyrights.

Classificação:

4,0

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