Chiclete com Banana # 18

Por Ricardo Malta Barbeira
Data: 17 março, 2014

Chiclete com Banana # 18Editora: Circo – Revista bimestral

Autores: Brazilian beach – Angeli (roteiro e desenhos);

A cauda do dinossauro – Edi Campana (roteiro e ilustrações);

Hippo-Glós – Angeli (roteiro e desenhos);

A vaca vai pro brejo – Angeli (roteiro e desenhos);

Glamour – Luiz Gustavo (roteiro e desenhos);

Fachadas suburbanas – Luiz Gê (roteiro e desenhos);

Bye Bye Brazil – Laerte (roteiro e desenhos);

Adiós, Glauquito! – Angeli, Laerte e Glauco (roteiro e desenhos).

Preço: NCz$ 1,20 (valor da época)

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Abril de 1989

Sinopse

Revista bimestral de humor que contava com trabalhos de vários quadrinhistas e ilustradores brasileiros.

Positivo/Negativo

Editada por Angeli e Toninho Mendes, a Chiclete com Banana foi uma publicação que marcou época nos anos 1980, principalmente por trazer em suas páginas uma geração de artistas talentosos, que viria a fazer um retrato de um novo Brasil que surgia naqueles anos que se seguiam ao fim da ditadura militar (1964-1985).

Por sinal, a primeira história da edição, Brazilian beach, já faz referência ao tema, ao mostrar um clube de ex-ditadores que tomam o País de assalto.

No entanto, o mix da revista era bem mais variado do que isso, ao ter conto ilustrado de Edi Campana, algo parecido com uma fotonovela – estrelando o ator Ari França –, HQ de Luiz Gustavo e tiras de A vaca vai pro brejo, Os Skrotinhos e Hippo-Glós, este último um personagem hipocondríaco de Angeli inspirado no diretor de teatro Cacá Rosset.

Fora isso, ainda havia o suplemento JAM (Jamais Amei Mamãe), que trazia de tiras e ilustrações de artistas diversos a bem-humoradas análises de produtos de consumo – neste número, a pesquisa é a respeito de absorventes femininos – e tirações de sarro de tudo e de todos.

Nesse último quesito, este número consta com uma das mais lembradas pelos leitores da época, os 50 motivos para detestar o Rio de Janeiro, do Visconde da Casa Verde.

JAM trazia colaborações de Fabio Zimbres, Newton Foot, Glauco Mattoso, Laert Sarrumor, Roberto Piva, Marcatti, Lonza, Líbero, Celso Singo, Eddy Teddy, Reinaldo, Luiz Gê, Milton Trajano e outros.

Para fechar a revista, uma das muitas histórias memoráveis de Laerte daquele período: Bye Bye Brazil.

Nesta primeira parte (de um total de três) da HQ, Paulo Nunes Feitosa, vulgo Paulinho Pentelho, resolve ir embora do País e, numa espiral de crimes e acasos, acaba por ajudar a fundar, poucos anos depois, a República Islâmica do Brasil. É daquelas pequenas preciosidades que quem leu jamais esquece.

Por fim, na quarta capa, Angeli, Laerte e Glauco assinam em conjunto mais um capítulo da saga de Los 3 Amigos.

Foram muitas as revistas nacionais de humor que surgiram e desapareceram com o passar dos anos, mas a Chiclete com Banana foi, com certeza, uma das mais marcantes, precisamente pela impressionante criatividade e qualidade de seus criadores e colaboradores.

Vale lembrar que naqueles tempos havia outros títulos similares nas bancas, como Piratas do Tietê, Geraldão e Níquel Náusea. Por isso, pode-se admitir que o leitor brasileiro tinha, sim, do que reclamar, mas também tinha muitos motivos para rir.

Classificação

4,0

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