CHICLETE COM BANANA – ANTOLOGIA # 1

Por Fernando Viti
Data: 1 dezembro, 2007

Título: CHICLETE COM BANANA – ANTOLOGIA # 1 (Nova Sampa/Devir
Livraria
) – Série em 16 edições

Autores: Angeli, Glauco e Laerte (roteiro e desenhos).

Preço: R$ 5,90

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Junho de 2007

Sinopse: Coletânea de tiras e HQs de oito números da revista Chiclete com Banana, de um período que vai de outubro de 1985 a janeiro de 1989.

Deste primeiro número, de uma coleção que contará 16, destacam-se as aventuras, dramas e alegrias de personagens como Bob Cuspe, Los Três Amigos, Rê Bordosa, Meia Oito e Angeli em crise.

E ainda há uma fotonovela protagonizada por Angeli e a pela atriz e poetisa Christiane Tricerri.

Positivo/Negativo: Para aqueles que chegaram agora, vale uma definição bem esquemática de Chiclete com Banana: HQ (nome retirado de uma das melhores gravações do mestre Jackson do Pandeiro) sobre sexo, fetichismo, nudez, fotonovelas eróticas, hedonismo, taras, drogas, rock’n’roll, punk rock, iconoclastia, pau-na-direita, pau-na-esquerda, new wave, ansiedade, neurose, política, artistas-e-intelectuais-egocêntricos-que-não-produzem-porra-nenhuma-mas-se-acham-o-máximo, política partidária, guerra termonuclear, absurdo, cultura pop e outros bichos urbanos.

Nos distantes anos 80, quando este país-piada saía das tristes sombras de mais uma ditadura militar, Chiclete com Banana foi um manifesto para a chamada geração perdida. Ou seja, jovens desconfiados das antigas utopias à esquerda ou à direita.

O humor iconoclasta, sem papas nas línguas de Angeli, Glauco e Laerte fez muita gente rir e, conseqüentemente, pensar sobre os desafios daqueles novos tempos.

A cultura pop superava as fantasias do flower power; o imaginário pop substituía as imagens de “uma casa no campo” e “roques rurais” por aquelas que retratavam grande centros urbanos assustadores em sua decadência e modernidade ao som de guitarras punks e/ou novos teclados da new wave.

Um mundo muito mais barra-pesada que ensejou uma nova onda hedonista e narcisista.

Abrir o sarcófago da historia das HQs e resgatar Chiclete com Banana traz de volta à cena não um cadáver em putrefação, mas personagens e enredos que foram exilados e enterrados vivos não só por diferentes crises econômicas das últimas duas décadas, mas, igualmente, pela a praga do pensamento politicamente correto.

Passados mais de 20 anos das primeiras escarradas do Bob Cuspe, que já freqüentava as paginas da Ilustrada (caderno de cultura do jornal Folha de S.Paulo), o mundo tornou-se ainda mais assustador, e novas aventuras do universo Chiclete com Banana são mais que necessárias.

Seria hilário ver Meia Oito ganhar um ministério, no populista governo Lula; acompanhar as aventuras de Rê Bordosa no São Paulo Fashion Week; rir com Los Três Amigos participando de uma CPI; observar Angeli em crise com “modelas” anoréxicas; e torcer pelo senador Bob Cuspe durante as sessões do Conselho de Ética do Senado, às voltas com o caso Renan Calheiros.

Há, entretanto, alguns problemas. Esta edição é endereçada não apenas aos antigos leitores, mas, principalmente, aos novos. Falta, portanto, uma introdução mais clara e informativa sobre o contexto histórico original e também algumas notas de rodapé para esclarecer aspectos de certas piadas e ironias que se perderam com os passar dos anos.

Um exemplo é a falta de informações sobre a atriz Christiane Tricerri. Sex simbol cult de então e, infelizmente, total desconhecida para a geração Ipod, ela fez parte do Teatro do Ornitorrinco (que contou também com a atriz Maria Alice Vergueiro, a musa do youtube.com), que, sob a direção de Cacá Rosset, foi responsável por uma montagem de Ubu Rei (de Alfred Jarry) que marcou a época.

Por outro lado, é preciso dizer, para aqueles que viveram e sobreviveram àqueles anos 80: rever estes quadrinhos é estranho… Se suas memórias daqueles dias de The Jam, The Clash, Human League, Ira!,Titãs, Garotos Podres, Projeto SP, The Cramps, The Cure, Echo and Bunnymen, Blade Runner, Perdidos na Noite e Chiclete com Banana são nebulosas, poucos claras, pode ter certeza de que você esteve lá.

Classificação:

4,0

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