CHICLETE COM BANANA – ANTOLOGIA # 2

Por Fernando Viti
Data: 1 dezembro, 2007


Título: CHICLETE COM BANANA – ANTOLOGIA # 2 (Nova Sampa/Devir
Livraria
) – Série em 16 edições

Autores: Angeli, Glauco e Laerte (roteiro e desenhos).

Preço: R$ 5,90

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Julho de 2007

Sinopse: Segundo número da coletânea de tiras e HQs da revista Chiclete com Banana, de um período que vai de dezembro de 1985 a março de 1991.

Nesta edição destacam-se as fantasias de Mara Tara, as crises familiares de Rê Bordosa, o pensamento vivo de Rhalah Rikota, a fotonovela Cena de Sangue num Bar da Avenida São João, o roqueiro Doy Jorge (de Laerte) e um “estudo” acerca de um fenômeno urbano que marcou os anos 80, os New Imbeciw.

Positivo/Negativo: Antes de tudo, é preciso dizer que a seleção desta edição é ótima e bem significativa para a compreensão daquela época. Entretanto, como no número 1, a revista carece de informações importantes, especialmente para leitores que não chegaram aos 30. Aí vão algumas:

1) O ponto alto da edição é O Sexo das Bactérias, que conta a origem de Mara Tara, a tarada que habitava o imaginário de homens e mulheres de então. Para situar melhor este pequeno clássico das HQs brasileiras, é preciso lembrar que os anos 80 foram marcados pelo surgimento da AIDS.

Ou seja, como se não bastasse o flagelo humano, no princípio daquela década, uma assustadora onda de pensamento reacionário e discriminatório, infelizmente, ganhou espaço para aterrorizar e propagar novos e velhos preconceitos.

Mara Tara, com suas pesquisas sobre a sexualidade, em meio à repressão e ao clima de terror, foi um manifesto bem-humorado contra a hipocrisia dos new caretas de então.

2) Por falar em new caretas, os new imbeciws são merecida e cruelmente detonados. E quem são eles senão os deslumbrados e colonizados de sempre, que adotam idéias e comportamentos (considerados modernos, descolados) sem o menor senso crítico.

Entre os tipos urbanos assim satirizados, vale apontar o new jornalista que, pelo traço de Angeli, é a caricatura do “famoso” Matinas Suzuki, naqueles anos uma das figurinhas carimbadas da Folha de S.Paulo.

3) Para curtir melhor o engraçadíssimo e “noiado” Doy Jorge, é preciso lembrar que o cantor Boy George (referência para compreender este personagem de Glauco) viveu dias de muita droga, depressão e decadência.

4) Sobre a fotonovela Cena de Sangue num Bar da Avenida São João: a talentosa atriz Selma Egrei, de tantos filmes de Walter Hugo Khouri, está em cartaz, nos palcos de São Paulo.

E o personagem Juvenal, interpretado por Júlio Calasso, é baseado no lendário e real garçom Juvenal, que por anos fez alegria dos freqüentadores do saudoso Bar Rivera (na esquina da Consolação com a Avenida Paulista), com suas tiradas espirituosas.

Classificação:

4,0

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