CHICLETE COM BANANA – ANTOLOGIA # 3

Por Fernando Viti
Data: 1 dezembro, 2007


Título: CHICLETE COM BANANA – ANTOLOGIA # 3 (Sampa
/ Devir Livraria)
– Série em 16 edições

Autores: Angeli e Glauco (roteiro e desenhos).

Preço: R$ 5,90

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Outubro de 2007

Sinopse: Terceira coletânea de tiras e HQs da revista Chiclete com Banana, de um período que vai de abril de 1987 a abril de 1989.

Neste número destacam-se a canalhice dos Skrotinhos ,o niilismo do Bob Cuspe ,os gases de Rê Bordosa, as nada sutis e acertadas previsões para os anos 90, as duas fotonovelas que retratam Angeli em crise às voltas com a paranóia da Aids e, num segundo momento, tendo que lidar com as pretensões eleitorais de Pai Ubu (imortal criação de Alfred Jarry), a libido das Ubuzetes e as tiras que tratam do romantismo e sensibilidade de Bibelô.

Positivo/Negativo: Uma certa melancolia permeia a leitura desta terceira edição do resgate de Chiclete com Banana, devido ao caráter premonitório das HQs.

Nos distantes anos 80, de hiper-inflação e guerra fria, parecia que nada poderia ser pior que aqueles dias. Triste ironia histórica, mas o mundo e, em especial, o Brasil tornou-se ainda mais violento, assustador e instável.

Naqueles tempos, o Brasil, recém-liberto de décadas de ditadura, vivia dias de grande marasmo no campo das idéias. O que não é exatamente novidade para a história deste país, mas chamava a atenção o fato de haver, inicialmente, uma certa alegria, um entusiasmo, naquela primeira metade dos anos 80.

O que se seguiu à morte de Tancredo, a ascensão de José Sarney, o fracasso do plano Cruzado, mais demagogia, populismo,hiper-inflação e, para variar, muita gente com a cabeça no passado.

O império soviético dava, cada vez mais, sinais de colapso, as ditaduras comunistas do Leste Europeu caminhavam para o fim. Mas a alternativa no Ocidente era a direita xenófoba e religiosa de Ronald Reagan. Tempos difíceis que, de certa forma, se estendem, como uma grande transição, até os dias atuais.

Então, com grande talento, Angeli criou personagens, situação e conflitos para enredo cômicos que beiravam o assustador. Não deixa de chamar a atenção que uma produção pop como esta tratava de temas que, com o tempo, se tornaram não só atuais, mas ainda mais problemáticos.

Afinal, neste número, o leitor se depara com histórias sobre consumismo exacerbado, alienação voluntária, estupidez, corrupção política e, claro, a crônica falta de coragem intelectual que marca o Brasil.

Classificação:

4,0

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