Cinema Purgatório – Volume 1

Por Milena Azevedo
Data: 24 dezembro, 2018

Cinema Purgatório – Volume 1Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Alan Moore, Garth Ennis, Kieron Gillen, Max Brooks e Christos Gage (roteiros), Kevin O’Neill, Raulo Caceres, Ignacio Calero, Michael DiPascale e Gabriel Andrade (artes). Tradução de Paulo Cecconi. Originalmente em Cinema Purgatorio # 1 a 3.

Preço: R$ 46,00

Número de páginas: 156

Data de lançamento:  Agosto de 2018

Sinopse

Antologia de terror idealizada por Alan Moore que homenageia clássicos filmes do gênero, bem como os quadrinhos da EC e da Warren.

Positivo/Negativo

Em 2016, Alan Moore resolveu criar uma singela campanha de financiamento coletivo, via Kickstarter, para um projeto chamado Cinema Purgatorio, que marcaria um retorno de sua parceria com o desenhista Kevin O’Neill (A Liga Extraordinária).

O projeto consistia em produzir mensalmente uma série de cinco HQs, escritas e desenhadas por uma equipe selecionada pelo próprio Moore, as quais seriam fragmentadas em histórias curtas em preto e branco, homenageando antigos filmes de terror e HQs da EC (Contos da Cripta) e da Warren (Eerie).

A campanha foi tão bem-sucedida que o projeto passou a ser publicado pela Avatar Press, ganhando corpo em 18 edições, cada uma com uma história curta de cada uma das cinco HQs da série, bem nos moldes de Tomorrow Stories (America’s Best Comics).

No Brasil, a Panini lançou discretamente um encadernando compilando as três primeiras edições de Cinema Purgatório, com capa dura, papel couché e trazendo como material extra todas as capas originais e alternativas de cada HQ.

Este álbum abre com a história que dá nome ao projeto, escrita por Moore e desenhada pelo O’Neill. E o leitor é convidado a entrar num cinema de rua, que já teve seu charme, mas hoje se encontra em decadência (com poltronas malcheirosas, banheiro sujo, sem papel higiênico e sabonete líquido adulterado). O dono do estabelecimento é onipresente, a lanterninha é manca e usa uma prótese de metal barulhenta, e o vidro abafa as informações dadas pela senhora da bilheteria.

O protagonista é apresentado apenas pela narração em primeira pessoa, e acha que está sonhando em looping (ou morreu e está no purgatório, mas não sabe ainda), preso neste cinema e condenado a assistir a filmes sem parar.

Os filmes retratados nas HQs fazem alusão a pastelões do cinema mudo, seriados de cinema e épicos shakespearianos (com aquela pegada ácida do Moore, claro).

A segunda trama tem roteiro de Garth Ennis e arte do espanhol Raulo Caceres (que carrega no alto contraste do preto) e se chama Código Pru. O autor foca em paramédicos nova-iorquinos que atendem a chamadas inusitadas, sempre de criaturas fantásticas que passam por algum apuro (tem vampiro, Frankenstein e uma espécie de alien que se alojou no corpo de um homem).

As surpresas ficam por conta da Pru que, por ser novata, vai descobrindo aos poucos com o que está lidando.

Kieron Gillen (The Wicked + The Divine) é o autor da HQ mais hilariante desta edição, que ganha um toque à la Heavy Metal com a arte do uruguaio Ignacio Calero. Mods apresenta um futuro insano, na linha Mad Max, no qual há daemons customizados por seus donos com implantes belicosos.

Quando a garota Fringe tem sua daemon surrupiada por um daemonatrixe, vai precisar achar outro daemon para chegar ao abismo e recuperá-la.

Já Max Brooks (sim, o filho do cineasta, roteirista e ator Mel Brooks) e Michael DiPascale criam uma das histórias mais sem graça já feitas, que se passa durante a Guerra Civil norte-americana, chamada Uma união mais perfeita. As páginas mostram uma sucessão de diálogos com os yankees para traçar estratégias contra o inimigo. O final deixa um cliffhanger que, parece, promete trazer uma surpresa e dar um gás a essa trama chatinha.

A última aventura é uma bela homenagem aos kaijus (filmes de monstros gigantes japoneses), chamada A vastidão. Escrita por Christos Gage e desenhada pelo potiguar Gabriel Andrade Jr.(desenhista de quem Alan Moore se declarou fã e com quem vem fazendo várias parcerias), a trama mostra pilotos norte-americanos enviados para combater o monstro gigante batizado de Apex, um terraformador que chegou em solo norte-americano e ameaça causar uma onda de destruição e horror, tal qual a invasão pathomorfa que abalou a Austrália, a Islândia e Angola.

Enquanto o Apex parece ser indestrutível, e os pilotos seguem matando pathomorfos de porte médio, Janna fará amizade com um fofinho e, aparentemente, inofensivo kaiju.

A leitura deste encadernado vai agradar em cheio aos admirados dos filmes de monstros da Universal e aos fãs das histórias de terror de Al Feldstein, Joe Orlando, Wally Wood, Archie Goodwin e Johnny Craig.

Resta torcer para que a Panini publique por aqui os demais encadernados (são seis, ao todo).

Classificação:

4,0

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