Civil War II # 1

Por Charlles Lucena
Data: 24 junho, 2016

Civil War II # 1Editora: Marvel Comics – Minissérie em oito edições

Autores: Brian Michael Bendis (roteiro), David Marquez (arte) e Justin Ponsor (cores).

Preço: US$ 5,99

Número de páginas: 40

Data de lançamento: Junho de 2016

Sinopse

Ulysses, um novo inumano com a habilidade de prever o futuro, emerge e provoca efeitos em todos os cantos do Universo Marvel.

Após um acidente que ceifa a vida de dois valorosos membros dos Vingadores, a Capitã Marvel e o Homem de Ferro se veem em um embate físico e ideológico sobre o uso dos poderes desse novo ser, causando uma cisão entre os principais heróis da “Casa das Ideias”.

Positivo/negativo

Um enorme caça-níqueis. Vindo na esteira do estrondoso sucesso de Guerra Civil, minissérie em sete partes, de Mark Millar (texto) e Steve McNiven (arte), publicada entre os anos de 2006 e 2007, e do filme homônimo lançado em maio de 2016 e que já arrecadou mais de um bilhão de dólares em bilheterias, Civil War II surge como uma aposta da Marvel em repetir o mesmo impacto e lucro de sua predecessora. Algo que as sagas-eventos seguintes (como Invasão Secreta, O Cerco, A Essência do Mal e afins) não obtiveram o mesmo êxito.

Proteger o futuro ou mudá-lo? Toda a gigantesca campanha de marketing da série foi feita a partir deste dilema, pois, a partir da eclosão dos poderes do jovem e inexperiente Ulysses (dos Inumanos, que novamente substituem os mutantes como destaque aqui, devido à questão dos direitos cinematográficos entre a Marvel Studios e a Fox), os heróis têm a chance de enfrentar ameaças e impedir crimes antes que se realizem.

É quando surge o questionamento que gera o novo cisma entre os uniformizados da “Casa das Ideias”, capitaneados pelo Homem de Ferro e pela Capitã Marvel, respectivamente, contra e a favor do uso da capacidade precognitiva do inumano.

Não é uma premissa inédita. Longe disso. É muito clara a influência do escritor americano Philip K. Dick (1928-1982), em especial em Minority Report, conto de ficção científica lançado em 1956 (e que se tornou um blockbuster dirigido por Steven Spielberg em 2002), cuja narrativa tem lugar em uma sociedade futurista na qual os homicídios são evitados antes que ocorram, graças ao auxílio dos chamados precogs, humanos capazes de ver o futuro.

Em uma entrevista, o escritor de Civil War II, Brian Michael Bendis, afirmou ser fã do livro de Dick, mas que são obras diferentes, apesar das similaridades. “Vivemos todos sob a sombra de Philip K. Dick”, chegou a dizer.

A primeira edição da minissérie abre com uma das atuais equipes dos Vingadores, liderada pelo Homem de Ferro, confrontando um gigantesco celestial, quando é providencialmente salva por outros grupos do Universo Marvel, com os Inumanos à frente, que dão fim à ameaça.

Após uma comemoração regada à bebida alcoólica (Bendis parece ter esquecido que Carol Danvers, assim como Tony Stark, teve sérios problemas com álcool, na série dos Vingadores, de Kurt Busiek e George Pérez, pois a personagem entorna uns cálices durante a festa) e uma tragédia que causa a morte (pouco impactante quando comparadas ao fim do Golias Negro, na série original) de dois valorosos membros dos Vingadores, o debate filosófico entre os heróis transforma-se em guerra.

Existem (poucos) bons momentos: o diálogo entre Steve Rogers (que mal aparece até então) e Tony Stark é impagável – “Eu não travarei um debate moral com você, Steve. Isso nunca termina bem para nós”. Outro destaque é a arte competente e ágil de David Marquez, que vinha se destacando na série atual do Homem de Ferro.

Não há grandes surpresas até aqui. Bendis continua eficiente na caracterização dos principais personagens, deixando muito claras as diferentes opiniões sobre o uso da precognição no combate aos vilões. Mas a impressão é que faltam algumas informações ao leitor, que precisa conferir outras edições, como a número zero, lançada no Free Comic Book Day, nos Estados Unidos, para um entendimento mais amplo da história.

Na inevitável comparação com a saga original, Civil War II perde pela falta de ineditismo e originalidade (além de Guerra Civil, há ecos claros de Vingadores vs X-Men, trocando-se a mutante Esperança Summers pelo inumano Ulysses), o que, infelizmente, é cada vez mais comum nos quadrinhos mainstream.

Classificação

2,5

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• Outros artigos escritos por

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  • Eduardo Lima

    Caracas velho, o pessoal perdeu as idéias, nada de novo tudo repeteco com uma roupagem nova. Ano que vem Guerra Civil III.

  • Canoa Furada

    Boa resenha. Atualmente a equipe de marketing da Marvel parece mais inspirada do que as equipes criativas dos títulos em si.

  • dar uma nota 4 para future, e 3,5 para essa. só mostra ser um site de fans da DC. Vim aqui por uma indicação, mas prefiro a vida loka do baile dos enxutos com suas análises e mdm com a loucura.

    • Beto Magnun

      Hã… A nota foi 2,5.

    • Alex Fernandes

      Mano todo mundo que contradiz a sua opinião vc chama de fanboy?

  • Jon Smit

    Team Captain America!

  • Thiago Eugenio

    Eu sou um que parou de colecionar séries regulares de quadrinhos por causa desses infindáveis eventos e tie-ins. Gosto de alguns personagens e me incomoda essa necessidade de ler HQs que não me chamam a atenção apenas para compreender melhor uma história.