CLÁSSICOS DO CINEMA – TURMA DA MÔNICA #15 – CASCÃO PORKER E A PEDRA DISTRACIONAL

Por Diego Figueira
Data: 2 agosto, 2009


Autores: Flávio Teixeira (roteiro), José Márcio Nicolosi (desenhos), Camila
Fernandes (cor) e Carlos Kina (letras).

Preço: R$ 5,50

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Agosto de 2009

Sinopse: Cascão Porker é um jovem que foi criado pelos tios depois que seus pais foram mandados para outra dimensão por um bruxo maligno, Aquele-que-não-deve-ser-mencionado.

Passados alguns anos, Cascão é levado para a Escola de Magia de Hográtis, onde deve se tornar um grande bruxo.

Lá, ele fará amigos como Celebone Uéslei e Hermônica, aprenderá sobre o mundo dos bruxos, mas também encarará aquele que o atacou quando era um bebê e quase o fez tomar banho: Aquele-que-não-se-deve-mencionar-nem-em-piada.

Positivo/Negativo: Cascão Porker e a Pedra Distracional é mais um entre os grandes acertos de Mauricio de Sousa no ano de 2009. E olha que o ano do cinquentenário da carreira do criador da Turma da Mônica está longe de acabar.

A revista chama a atenção logo no primeiro olhar. Uma edição bem cuidada, em papel especial e com uma capa atraente, que reúne os famosos personagens de Mauricio àquele que é certamente um dos maiores ícones infanto-juvenis do novo século: Harry Potter.

Adaptações e paródias não são novidade para a Turma da Mônica – tanto que esta é uma publicação bimestral totalmente dedicada ao tema. Contudo, a exploração de um universo tão rico e cultuado, aliada a outras particularidades da história, pode fazer desta edição um marco.

Mas comecemos pela história em si.

A agilidade é um dos pontos fortes do enredo. Afinal, em 48 páginas são adaptadas duas horas de filme em que todos os personagens da série do pequeno bruxo são apresentados. Aí fazem diferença a sagacidade do roteirista e a habilidade do desenhista para dizer muito com apenas poucos quadrinhos.

Dessa forma, a narrativa adquire um ritmo solto em que é difícil conter o riso em algumas páginas. O confronto com o vilão, “Aquele-que-você-sabe-quem” (e o leitor vai concordar que o antagonista escolhido foi uma escolha perfeita), embora breve, não deixa a desejar.

Inclusive porque fica o gancho para as adaptações das outras aventuras de Harry Potter. Só lembrando, esta HQ parodia a primeira aventura do bruxo.

A caracterização dos personagens é outro ponto forte, que predomina em quase toda primeira metade da revista. Mesmo para quem não conhece bem os personagens dos filmes e livros, a identificação pelo visual é garantida.

Quanto às atitudes de cada um, a trama se apoia na personalidade criada no interior da adaptação, com uma leve predominância das características dos “atores” da Turma da Mônica que os interpretam.

O recurso, além de tornar a HQ acessível por si só, ajuda a mostrar que os verdadeiros astros da história são os personagens de Mauricio de Sousa.

Mais do que tino editorial para juntar duas marcas lucrativas do entretenimento, os autores souberam usar o potencial de um para engrandecer o outro. Das muitas paródias que Harry Potter possa ter, poucas contarão com personagens tão ricos como a Turma da Mônica, um privilégio no mundo da cultura pop.

Outra novidade que se mostrou extremamente positiva foi a técnica de colorização feita diretamente sobre o lápis do desenhista. O resultado é muito bonito e contribui inclusive para o destaque que a capa possui na prateleira.

A paleta de cores combina perfeitamente com a atmosfera de magia e aventura da trama. Além disso, esse processo deixa transparecer algo do estilo pessoal do desenhista, com alguns traços peculiares.

Graças a isso, há uma leveza e um movimento diferentes nos personagens, algo próprio do desenho a lápis que, às vezes, a arte-final à tinta, com sua espessura maior, esconde. Um charme a mais nesta revista, que dá um ar de novidade até mesmo para os leitores antigos da Turma da Mônica.

E essa liberdade de estilo se mostra em outra atitude de Mauricio de Sousa, de dar crédito aos autores desta edição. Embora essa informação não apareça na revista devido a um equívoco no fechamento da edição, o próprio autor as divulgou no seu perfil no Twitter e também no programa Roda Viva, da TV Cultura, do dia 31 de agosto de 2009.

Por anos, algumas pessoas questionaram a ausência de créditos aos autores nas HQs de Mauricio de Sousa, mas essa novidade vem em momento oportuno e em grande estilo. Afinal, o nome do autor ganha muito mais relevância se acompanhado dessa liberdade de mostrar seu estilo pessoal.

E isso parece ser uma coisa que Mauricio experimentou e gostou, primeiro com a Turma da Mônica Jovem e mais ainda com o projeto MSP50 – Mauricio de Sousa por 50 Artistas, com lançamento marcado para a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, em setembro.

Embora pareça modesto perto de outros lançamentos mais charmosos da MSP este ano, Cascão e a Pedra Distracional tem tudo para figurar entre as melhores HQs de 2009, com roteiro e arte de primeira. E como é hábito entre os títulos da Turma da Mônica, sai por um preço excelente.

Fica a torcida para que as próximas aventuras deste bruxinho encardido não demorem a chegar.

 

Classificação:

4,0

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