Clássicos do Cinema – Turma da Mônica # 36 – Coelhada para o Futuro

Por Diego Figueira
Data: 5 abril, 2013

Clássicos do Cinema - Turma da Mônica # 36 - Coelhada para o FuturoEditora: Panini Comics – Revista bimestral

Autores: Flavio Teixeira de Jesus (roteiro) e Estúdios Mauricio de Sousa (arte).

Preço: R$ 5,50

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Março de 2013

Sinopse

Nesta paródia do filme De volta para o futuro, o Louco faz com que Cebolinha entre numa máquina do tempo inventada pelo Franjinha para fugir de uma coelhada da Mônica.

Assim, ele vai parar no bairro do Limoeiro no ano de 1958, onde encontra o jovem Mauricio, ainda um repórter investigativo que apenas sonha em ser desenhista de quadrinhos.

Caberá a Cebolinha garantir que Mauricio realize seu sonho e crie todo o seu universo ficcional, impedindo que o futuro e todos os personagens da Turma da Mônica desapareçam.

Positivo/Negativo

A série Clássicos do Cinema – Turma da Mônica é um dos melhores produtos dos Estúdios Mauricio de Sousa. As histórias apresentadas são mais do que simples paródias de sucessos de bilheteria, são uma espécie de trampolim para os personagens de quadrinhos mais populares do Brasil dialogarem de igual pra igual com grandes nomes do entretenimento mundial.

Aparentemente menos pretensiosa do que os verdadeiros blockbusters do estúdio, Turma da Mônica Jovem, a linha MSP 50 e as recém-lançadas Graphic MSP, Clássicos do Cinema destaca-se pelo alto nível dos roteiros (na maioria das vezes assinados por Flavio Teixeira de Jesus, como nesta edição – ele está creditado no expediente), sempre muito criativos e bem amarrados até nos mínimos detalhes, nas numerosas referências que figuram em segundo plano nas cenas.

Coelhada para o futuro, além de manter o padrão da publicação, consegue figurar como homenagem à própria carreira de Mauricio de Sousa, com o mesmo esmero que os álbuns e edições de luxo que marcaram as datas comemorativas de seu trabalho.

Isso porque Mauricio e sua obra são o elemento central do roteiro da edição, fazendo mais uma vez os personagens do bairro do Limoeiro se apropriarem completamente do cenário que estão parodiando. A metalinguagem, marca registrada da Turma da Mônica, é um dos segredos por trás desse fenômeno.

Ao voltar para o bairro do Limoeiro no ano de 1958, Cebolinha encontra o jovem repórter Mauricio indeciso sobre investir na carreira de desenhista e, assim como o pai de Martin McFly no filme original, oprimido por um valentão que o deixa ainda mais inseguro sobre seu sonho. É aí que a história fica mais interessante.

Atenção: os parágrafos a seguir contêm informações sobre o enredo que podem ser considerados spoilers. Portanto, se não quiser estragar a surpresa da leitura, leia-os mais tarde.

Para a surpresa de Cebolinha e do leitor, esse valentão é ninguém menos do que uma versão marombada do Xaveco, que pretende se apropriar das criações do jovem Mauricio e fazer sucesso com elas, mudando completamente o futuro dos personagens do Limoeiro. A velha piada do Xaveco como eterno personagem secundário torna-se agora um perigo.

Somente o Cebolinha e o Louco, sempre impagável, podem corrigir a história. Para isso, tratam de chamar a atenção de Mauricio para tudo aquilo que o inspirou a criar cada personagem seu. O que se vê, então, é a participação de praticamente todas as criações do desenhista, de forma divertida e comovente.

De resto, os momentos mais marcantes do filme original estão lá, adaptados ao imaginário da Turma da Mônica. Vale destacar a cena do baile, com Cebolinha cantando a música do célebre especial de Natal, que fez tanto sucesso na TV brasileira nos anos 1970.

Pelo teor da homenagem e pelo alto nível do roteiro, Coelhada para o futuro poderia ter sido lançado como álbum para celebrar o cinquentenário de carreira de Mauricio ou de algum de seus personagens. Mas não deixa de ser louvável que haja quadrinhos dessa qualidade regularmente nas bancas a um preço tão acessível, como garantia de muita diversão.

Classificação

4,5

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