CÓCEGAS NO RACIOCÍNIO

Por Sidney Gusman
Data: 1 dezembro, 2010

CÓCEGAS NO RACIOCÍNIO

Editora: Garimpo – Edição especial

Autores: João Montanaro (texto e arte) e Laerte, Adão Iturrusgarai, Benett, Carranza, Jean Galvão e Orlando (participações especiais).

Preço: R$ 34,90

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Agosto de 2010

 

Sinopse

Primeiro livro de João Montanaro. A edição compila tiras, charges, cartuns, ilustrações, uma história em quadrinhos inédita e homenagens de colegas de traço.

Positivo/Negativo

Considerado a grande revelação do quadrinho nacional nos últimos anos, João Montanaro ganha seu primeiro álbum no auge de seus 14 anos. Possivelmente, é o autor mais jovem a publicar um livro nesse mercado em nosso país. E a estreia é em grande estilo.

Não é à toa que Montanaro se tornou tão querido de grandes nomes do traço brasileiro. O garoto é bom mesmo. E sabe disso. A ponto de, às vezes, algumas pessoas o considerarem meio marrento por comentários que faz em entrevistas ou no Twitter.

Definitivamente, não é o caso. Ele tem apenas 14 anos e, por mais maturidade que demonstre ao tratar certos temas (vale lembrar que, atualmente, Montanaro é chargista da Folha de S.Paulo), ainda é um adolescente. Quer coisa mais normal do que agir como tal?

João Montanaro tem um humor gostosamente sacana. E com um traço que, por si só, já é engraçado. Neste livro, há várias passagens em que o leitor não deve estranhar se perguntar a si mesmo: “De onde esse moleque tirou essa ideia?”, como na tira do João sem braço tendo que apontar um lápis.

Outro bom exemplo está nas páginas em que os convidados especiais, Laerte, Adão Iturrusgarai, Benett, Carranza, Jean Galvão e Orlando, fazem uma página para Montanaro e recebem outra de volta. Adivinhe: João sacaneou todos eles. Quer maior prova de admiração?

Ele sabe que não dá pra fazer quadrinhos de humor sem ser irreverente.

Um grande mérito de Cócegas no raciocínio é mostrar a versatilidade do autor. As tiras, cartuns e charges são o ponto alto do álbum. A HQ em preto e branco, mais longa, mostra que Montanaro, ao menos por enquanto, se dá melhor em quadrinhos de menor fôlego.

Nas páginas finais, as (belas) ilustrações tiram do leitor o sorriso que ele carregara até ali, mas comprovam o talento do garoto em outra praia. Isso porque suas aquarelas chamam mesmo a atenção.

Por fim, um elogio ao trabalho editorial da Garimpo. O álbum retrata na dose certa cada fase do trabalho de João Montanaro. Ou seja, Cócegas no raciocínio é uma ótima pedida para quem já o conhece e também para apresentá-lo a novos leitores.

João Montanaro surgiu para o mercado aos 12 anos. Por isso, foi chamado algumas vezes de “menino-prodígio” do quadrinho nacional. Ele deve ter odiado receber o mesmo apelido do Robin, mas, como sacaneia todos à sua volta (nem os pais escapam), sabe que ser a “vítima” das tirações de sarro aqui ou ali é inevitável.

Então, nem vai se importar de esta resenha, fazendo jus a essa alcunha momentânea que recebeu, terminar com um “Santo quadrinhista talentoso, João Montanaro!”

Classificação:

4,0

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