Coleção Histórica Marvel – Torneio de Campeões # 1

Por Thiago de Carvalho Ribeiro
Data: 6 abril, 2018

Coleção Histórica Marvel – Torneio de Campeões # 1Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Bill Mantlo, Steven Grant, Mark Gruenwald, Steve Englehart e Tom DeFalco (roteiros); John Romita Jr, Bob Layton, Al Milgrom, Bob Hall, Keith Pollard, Marshall Rogers, Jackson Guice e Ronald Frenz (desenhos) – Originalmente em Marvel Heroes Contest of Champions # 1  a # 3 (1982), West Coast Avengers Annual # 2 (1987) e Avengers Annual # 16 (1987).

Preço: R$ 25,90

Número de páginas: 160

Data de lançamento: Outubro de 2017

Sinopse

O primeiro grande confronto do Universo Marvel, reunindo Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico e heróis de outros países, que se digladiam em uma arena criada pelo Grão-Mestre, valendo o destino de toda a humanidade.

O encadernado ainda conta com a sequência desse importante crossover, envolvendo os Vingadores e os Vingadores da Costa Oeste.

Positivo/Negativo

É inegável a importância de eventos que reúnem os personagens de todo um universo ficcional, principalmente para as vendas da editora, seja para o bem ou para o mal do mercado de quadrinhos norte-americano.

Sagas como Guerra Civil, Flashpoint e Crise Infinita são exemplos de empreitadas que foram um sucesso de vendas entre os leitores, gerando efeitos posteriores para os heróis da Marvel e da DC.

Porém, muitos leitores associam a origem da realização de grandes crossovers às clássicas sagas Crise nas Infinitas Terras (1986) e Guerras Secretas (1984), esquecendo que o primeiro encontro desse porte em uma editora de quadrinhos, no qual seus personagens se juntaram para combater um inimigo em comum, foi na minissérie Torneio de Campeões, aqui relançada pela Panini.

Mas esse pioneirismo não é o único ponto curioso sobre esta história. Ela foi originalmente desenvolvida para ser lançada em comemoração às Olimpíadas de 1980, em Moscou, então capital da União Soviética, sendo que o desenhista John Romita Jr. trabalhou em diversas páginas.

No entanto, devido a questões políticas, já que os Estados Unidos boicotaram o evento, a Marvel decidiu engavetar o projeto. Dois anos após a pausa, o editor Mark Gruenwald achou que a história deveria conhecer a luz do dia.

Esses acontecimentos são narrados no prefácio da edição brasileira pelo editor Leonardo Camargo. Inegavelmente, esta versão de Torneio de Campeões é uma ótima oportunidade para novos leitores conhecerem a minissérie em três partes, pois traz também as capas originais, prefácio contextualizando como foi feito o quadrinho e, principalmente, um preço compatível com o material ofertado.

A Coleção Histórica Marvel tem se mostrado uma ótima escolha para a publicação de histórias mais fechadas e de fácil acesso para quem quer comprar bons materiais da “Casa das Ideias” sem ter que recorrer aos caros encadernados de luxo. O selo já lançou oito edições de X-Men (com a importante Saga da Ninhada), doze de Homem-Aranha, oito de Vingadores, quatro de Paladinos Marvel (com Demolidor, Cavaleiro da Lua, Justiceiro, Luke Cage e Punho de Ferro), quatro de Wolverine (com as primeiras histórias solo do personagem), quatro dedicadas aos vilões e quatro de Defensores.

A edição apresenta dois arcos de história: Torneio de Campeões, de 1982, e a sua continuação direta, nos títulos Vingadores e Vingadores da Costa Oeste, de 1987.

Na saga original, todos os heróis da Marvel são transportados para um local e devem participar de um jogo realizado pelo Grão-Mestre e uma entidade misteriosa.

Se o Grão-Mestre vencer, o Colecionador, morto na saga de Korvac, será ressuscitado. Caso perca, o “anfitrião” perderá a vida. Para que o torneio aconteça, alguns heróis são escolhidos para lutar ao lado de cada apostador.

Trata-se de uma trama bem básica de super-heróis, com resquícios da década de 1970. Na época, a Marvel tinha diversas sagas envolvendo entidades onipotentes cósmicas, como Korvac, Thanos, Tribunal Vivo e outras. A tendência de combatentes do crime urbanos e tramas mais pé no chão ficavam só para personagens como Demolidor e Homem-Aranha.

O texto da minissérie original segue o padrão da época: muito descritivo. Não bastava o personagem agir no quadro, ele precisava explicar seus movimentos em pensamento.

Interessante salientar também que não são todos os personagens que entram em combate, apenas alguns. É um banho de água fria para o leitor que espera um confronto entre X-Men e Quarteto Fantástico, mas deve-se levar em conta que a história foi escrita para homenagear as Olimpíadas.

Dessa forma, Grão-Mestre e a outra entidade escalam apenas alguns heróis de diversos países para participarem do jogo, representando o espírito olímpico. Há superseres extremamente obscuros, como Cavaleiro das Arábias e Peregrino, lutando ao lado de personagens como Wolverine, Capitão América e Demolidor.

Uma das coisas quase inacreditáveis do roteiro é que acontece um erro na contagem do placar, e a Marvel publicou assim! O vacilo acabou virando uma marca registrada do evento. O assunto é abordado no texto de apresentação.

A arte da HQ de 1982 ficou a cargo de John Romita Jr., com um desenho bem distante daquele que se tornou sua marca registrada, ao trabalhar com personagens como Homem-Aranha e Demolidor. Aqui, o traço tem muito do padrão desempenhado por Sal Buscema na época, além da influência clara de seu pai, John Romita.

Vale destacar que a continuação tardia de Torneio de Campeões traz uma passagem desenhada pelo mesmo John Romita Jr., cinco anos depois, já num estilo bem diferente, com mais sombras.

A sequência de Torneio de Campões apresenta mais um jogo com entidades cósmicas, desta vez o Colecionador. Mas traz os mesmos vícios do gênero, com a diferença de o embate ser de grupos de heróis – inclusive o Capitão Marvel que na época estava morto havia algum tempo.

Mesmo contando uma história padrão da Marvel dos anos 1970/1980, Torneio de Campeões entretém o leitor, desde que ela a encare com o devido distanciamento histórico, já que, na época, os heróis combatiam entidades divinas em edições mais fechadas, sem os diversos spin-offs, nem a necessidade de acompanhar N revistas para compreender a saga.

Classificação

2,5

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• Outros artigos escritos por

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  • Emerson

    Pra mim, o grande apelo dessa história é a grande quantidade de personagens obscuros.

  • Alexandre Floquet da Rocha

    Lembro da mini original quando foi publicada na extinta revista Heróis da TV edições 108 a 110 no ano de 1988 pela editora Abril.

  • Fernando Amaral

    Essa saga é ruim demais, talvez a pior saga da Marvel de todos os tempos. Não sei por que republicar isso. A única justificativa pra Marvel não enterrar essa desgraceira seria por motivo de humor, pra fazer piada consigo mesma. Existem centenas de histórias maravilhosas ds Marvel e da Dc desse período, não vale a pena gastar tempo e dinheiro com isso. Se não me engano foi publicada na revista Heróis da Tv, eu tentei ler há uns dois ou três anos e não consegui, é constrangedor.

  • Enoch

    Que boa surpresa ver esse material sendo republicado ! Pra mim, é melhor do que Guerras Secretas. Tanto o original quanto a continuação apresentam uma trama divertida, que traz personagens pouco conhecidos para contracenar com medalhões sob a luz dos holofotes e inclusive, tem alguns momentos um tanto inusitados como aquele em que o Wolverine vence o Hércules O.o

  • Leandrodosanjos

    Lembro de um diálogo absurdo entre Estrela Negra e Demolidor sobre a Viúva Negra…Como se elas não se conhecessem , sendo que ambas foram membros dos Campeões….