COMO NA QUINTA SÉRIE

Por Eduardo Nasi
Data: 1 dezembro, 2012

COMO NA QUINTA SÉRIE

Editora: Balão Editorial – Edição especial

Autor: DW Ribatski (texto e arte).

Preço: R$ 13,00

Número de páginas: 40

Data de lançamento: Novembro de 2012

 

Sinopse

Um garoto desafia um policial do grupo F.O.D.A e terá que encarar as consequências.

Positivo/Negativo

Como na quinta série retrata um tema importante do Brasil contemporâneo: o abuso policial. Na história, uma tropa de elite tentar prender um grupo de moleques que fuma maconha à beira da estrada. Um dos garotos acaba dando um tapa na cara de um dos policiais, Dimas. É levado para a delegacia. Mais não vale a pena contar, porque a trama é curta e ir adiante poderia abafar sua força.

Mas vale adiantar a frase que abre o livro, e que faz com que o policial abra a guarda para levar o tabefe: de mão erguida, o garoto diz: “Então, cheira aqui”. Receber um tapa na cara desmoraliza. Depois de uma frase dessas, sai de baixo.

O moleque cometeu o tal do desacato. Mas por que mesmo uma tropa de elite é usada para perseguir jovens que fumam maconha?

A obra chega em um momento pertinente, porque o suposto absurdo da premissa da história está nas ruas. É tudo verdade.

DW Ribatski não se contenta em retratar o que acontece. Ficcionaliza. Transforma em mito. Leva a consequências que não podem ser reais – como o recurso visual no rosto do garoto, profundamente perturbador, simplesmente brilhante.

Não é mais vida real e, ainda assim, tem força. Aliás, tem mais força. Porque a ficção não deixa de ser uma verdade ainda maior: a de que o filtro da arte recria e elabora, e assim fala ainda mais sobre nosso mundo.

E como Ribatski elabora bem! A HQ tem ritmo e cadência, as coisas estão nos seus lugares, fazem sentido onde estão. O momento do tapa, por exemplo, deixa de ser mera narração convencional: vira uma dança. Desenhos crus (mas precisos), balões distorcidos se embrenhando na arte, excessos que dialogam com ocultações: há um senso de conflito que sai do enredo e contagia a arte.

A história é curta, o formato é pequeno, as cores são duas (preto e um azul púrpura contra o papel branco), tudo nos padrões da Coleção Zug, da Balão Editorial. O tamanho pode enganar, mas a obra não: é uma HQ muito relevante.

 

Classificação:

4,0

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