Conan, o Bárbaro – Especial # 1

Por Osvaldo Magalhães
Data: 21 maio, 2007

Conan, o Bárbaro - Especial # 1Resenha por: Osvaldo Magalhães e Fernando Neeser

Editora: Editora Abril – Edição especial

AutoresA Fronteira do Fim do Mundo – Roy Thomas (roteiro), John Buscema e Tony De Zuñiga (arte).

Preço: NCz$ 1,60 (preço da época)

Número de páginas: 96

Data de Lançamento: maio de 1989

Sinopse

Apenas o Forte Tuscelan oferece proteção aos colonos da região da Terra dos Pictos conhecida como Conajohara, situada entre o Rio Trovão e o Rio Negro.

Conan, contratado para patrulhar a violenta fronteira da Aquilônia com os Sertões Pictos salva a vida de um jovem colono chamado Balthus. Enfrentando toda a selvageria do mais primitivo dos povos da Era Hiboriana, logo eles se vêem enfrentando um demônio da floresta, mas sobrevivem.

Chegando ao Forte Tuscelan, partem para o território inimigo com o objetivo de capturar um feiticeiro capaz de comandar todas as feras da floresta e os demônios que nela habitam, o poderoso xamã picto Zogar Sag.

Balthus é capturado e Conan é obrigado a resgatá-lo. Ambos fogem da aldeia picta e, na tentativa de avisar os guerreiros do Forte Tuscelan do ataque que vão sofrer, enfrentam, em plena selva, patrulhas inimigas, emboscadas e demônios.

A dupla ainda se vê perseguida por feras selvagens que servem a Zogar Sag, mas Conan espanta os animais com o antigo sinal de Jhebbal Sag, que aprendeu anos atrás. Ao chegarem ao forte, este já está sob ataque e condenado.

No final, um massacre covarde, mortes e destruição mostram a crueza da vida na fronteira. Como Balthus foi assassinado pelos Pictos, Conan promete dar cabo de dez pictos em retribuição.

Positivo/Negativo

Com lombada quadrada e papel couché, esta edição é ímpar no quesito “raridade”. Não somente pela belíssima capa de Barry Windsor-Smith nem por ser da época em que José Sarney estava prestes a deixar a presidênica da República Federativa do Brasil e do Cruzado Novo (vigente de 16/01/1989 a 15/03/1990), mas por ter sido lançada inusitadamente como uma forma de reeditar as primeiras aventuras mostradas na extinta A Espada Selvagem de Conan.

A edição reapresenta a saga de Conan entre os pictos, adaptada de um conto do criador do bárbaro, o texano Robert Ervin Howard, intitulado Beyond the Black River (Além do Rio Negro, curiosamente adaptado, no Brasil, como A Fronteira do Fim do Mundo), publicado pela extinta editora Weird Tales, em maio de 1935.

No Brasil, essa aventura foi originalmente apresentada em duas partes, em ESC # 14 e # 15, de dezembro de 1985 e janeiro de 1986, respectivamente. É uma das mais fiéis adaptações que Roy Thomas fez da obra de Howard e, sem dúvida, à altura do conto que a inspirou.

A fidelidade a Howard escapa apenas na retratação que John Buscema e Tony De Zuñiga fazem do vestuário de Conan, sempre com aquela tanga de pêlos, em vez dos calções de seda, como no original; ao contrário do que vem fazendo Cary Nord (na revista Conan, o Cimério, da Mythos), que está retratando o bárbaro com uma tanga – aparentemente de pano – porque é assim que o escritor descreveu o personagem nos contos sobre sua juventude.

Outro fato é a situação cronológica da aventura. É quase certo que sua seqüência é O Tesouro de Tranicos (apresentada em ESC # 90 e # 91, abril e maio de 1992) e não Lua de Sangue (ESC # 26, dezembro de 1986), pois a ida de Conan à Tarantia e a fuga para a Bossônia, antes da travessia pelos Sertões Pictos, foi invenção de L. Sprague DeCamp – juntamente com a presença de Thoth-Amon e o final, onde em vez de retomar a carreira de baracho, como Howard idealizara, o cimério se junta a amigos aquilonianos para conquistar a coroa da Aquilônia (isso só se deu seis anos depois da queda do Forte Tuscelan).

O início do conto original (as primeiras páginas estão disponíveis no site da Amazon) dá a entender que o cimério estava na fronteira oeste da Aquilônia, quando um ataque picto o fez enfrentar o grupo que o derrubou (esse trecho é narrado em O Tesouro de Tranicos).

Essa seqüência de aventuras faz parte da programação da revista Conan, o Bárbaro, que a Mythos promete publicar neste ano.

É interessante a frase final da aventura, quando o único sobrevivente do Forte Tuscelan se dirige a Conan, dizendo: “O barbarismo é o estado natural do homem! A civilização é artificial, uma trapaça do destino… e o barbarismo sempre vai triunfar no final!”.

Essa frase deixa transparecer a natureza sombria de Robert Howard, que, segundo E. Hoffman Price, um amigo dele, “viveu em dois mundos”. Um era o normal, o outro um reino de paranóias, infestado por assassinos e inimigos ardilosos.

Price relata que durante um passeio com Howard pelo interior do Texas, seu amigo parou o carro de repente, sacou uma pistola do bolso e esquadrinhou cuidadosamente o campo. Depois, guardou a arma dizendo: “Tenho uma porção de inimigos, todos ao redor. Não que eu achasse que estávamos indo ao encontro de algum, mas precisava me certificar”.

Esta edição especial traz ainda uma matéria intitulada Crônicas da Espada (A Gênese do Barbarismo), um artigo de Lin Carter publicado originalmente em ESC # 17 (março de 1986), que relata a gênese das histórias de espada e feitiçaria, e a curta aventura A Maldição da Deusa-Gato (ESC # 8, junho de 1985), de Roy Thomas e Pablo Marcos.

Classificação

5,0

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