Contos rabiscados para corações maltrapilhos

Por Milena Azevedo
Data: 28 novembro, 2014

Contos rabiscados para corações maltrapilhosEditora: Tribo – Edição Especial

Autora: Luiza de Souza (roteiro e arte).

Preço: R$ 35,00

Número de páginas: 152

Data de lançamento: Outubro de 2014

Sinopse

Dez histórias sobre corações atropelados por rolos compressores.

Positivo/Negativo

Para falar de amor, não necessita ter idade suficiente, apenas maturidade de espírito e bom humor.

No auge dos seus 21 anos, Luiza de Souza comprova essa afirmação no álbum Contos rabiscados para corações maltrapilhos, publicado pela Tribo, com prefácio assinado pela escritora gaúcha Clara Averbuck.

Egressa da ilustração publicitária, Luiza se tornou bastante popular na internet com seus letterings e fanarts de seriados de TV (Game of Thrones, Orphan Black), e atualmente encabeça o coletivo Macaxeira Zine.

Ela debutou nos quadrinhos em 2013, desenhando a história Do Caos aos Cosmos, na coletânea Visualizando Citações, do selo MBP. Contos rabiscados para corações maltrapilhos é apenas sua segunda incursão na nona arte, mas a primeira em que se apresenta como artista completa: roteirizando, desenhando e fazendo o projeto gráfico da obra (todos os textos, incluindo capa e lombada, foram feitos por Luiza, de forma manuscrita).

Dos desencontros das ótimas Café com leite e Cadeiras (em que cada história é contada sob a perspectiva de um personagem), aos romances frustrados de Retalhos e Vestido Amarelo, a marotice de Samba e Amor e o tapa na cara de Ingrata, é fácil se deixar levar pelo traço à la Bryan Lee O’Malley, de Luiza. Mas, a cada página, as referências pop tiradas de Scott Pilgrim dão lugar a enredos dignos de Ataulfo Alves e Chico Buarque, num sonoro “dou risada de um grande amor, mentira”.

Em Contos rabiscados… saltam aos olhos a maturidade dos textos, a narrativa fluida e o ritmo bem cadenciado (é delicioso ter aquela pitada de ironia pincelando as histórias trágicas) de todas as dez histórias. E, embora faça parte da categoria “fofo”, jamais pode ser rotulado como um “quadrinho de mulherzinha”.

Luiza de Souza é um dos nomes da novíssima geração do quadrinho nacional, que já chegou sem tempo a perder.

Classificação

4,0

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