Corporação Batman – Volume 1

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 2 março, 2012

Corporação Batman - Volume 1Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Grant Morrison (roteiro), Yanick Paquette e Chris Burnham (desenhos), Michel Lacombe (arte-final) e Nathan Fairairn (cores) – Publicado originalmente em Batman Incorporated # 1 a # 5.

Preço: R$ 15,90

Número de páginas: 128

Data de lançamento:Fevereiro de 2012

Sinopse

Bruce Wayne inicia seu plano para a Corporação Batman, uma iniciativa de super-heróis no combate ao crime ao redor do planeta.

Positivo/Negativo

Quando Grant Morrison assume os roteiros de um novo título, os leitores podem esperar uma proliferação frenética de ideias, visão apaixonada pelo gênero dos super-heróis, vilões grotescos e situações imprevisíveis.

Corporação Batman, apesar de ser menos delirante que a média de trabalhos do escocês, dá continuidade à saga do Homem-Morcego numa direção inusitada, com personagens marcantes. Não se pode negar o quanto Morrison mexeu com o universo de Batman, tirando o personagem de sua zona de segurança e apresentando conceitos diferentes do que se acompanhava anteriormente.

E essa iniciativa global de combate ao crime é a coroação dessa trajetória criativa, que incluiu o novo Robin, Damien Wayne, filho de Bruce com Tália, o período que Dick Grayson passou como Batman, e a saga Descanse em paz. E esta edição prova que não falta fôlego ao escritor.

Com participação especial da Mulher-Gato, a história de abertura leva Batman até o Japão, onde ele planeja recrutar um herói local para sua Corporação, mas as coisas não saem como esperado. Morrison aproveita para brincar com convenções dessa cultura distinta, incluindo o fetiche por monstros de tentáculos protuberantes dos mangás, e as criaturas espectrais do cinema oriental.

Tudo com muita leveza, sem partir para um estudo geopolítico mais sério. Há aqui, afinal, um gibi de super-heróis que busca entreter e levar um dos personagens mais tradicionais dos quadrinhos a cenários inóspitos onde nem tudo é o que parece. A cena do Sr. Desconhecido repetindo o juramento ao lado de Batman é emblemática dessa nova fase na vida do herói, e encanta pela simplicidade.

A aventura prossegue com a presença do herói latino El Gaucho, e envereda então com uma retomada de elementos da mitologia clássica do Morcego. Desde que assumiu a revista mensal do herói, em 2006, Morrison tem se empenhado em validar histórias esquecidas do personagem, de épocas passadas, como o período de tramas de ficção científica, da década de 1950, e até o divertido Bat-Mirim.

Nesta edição, ele se dedica a resgatar a Batwoman original, Kathy Kane, antiga paixão de Bruce Wayne que foi morta pela Liga dos Assassinos. Por meio de flashbacks belamente ilustrados por Chris Burnham, o autor relembra a paixão dos dois heróis e lança novas luzes sobre um período mais ingênuo e encantador dos quadrinhos, mas com um gancho para as tramas atuais que surpreende.

O contraponto entre a Batfamília da Era de Prata, que também contava com Robin, Batgirl e Ás, o Cão-Morcego, e a nova Corporação Batman, funciona perfeitamente.

Já a arte de Yanick Paquete, que ilustra a maior parte da edição, não impressiona tanto como o texto. O desenhista realiza um trabalho apenas correto, e não explora todo o potencial da parceria entre Batman e Mulher-Gato, apesar da sensualidade com que retrata a curvilínea anti-heroína, e sua representação para os heróis internacionais peca pela falta de ousadia. Não é nada que comprometa o prazer da leitura, mas dá pra imaginar como seriam essas histórias sob a pena de alguém mais talentoso.

Corporação Batman, enfim, pode não estar entre os trabalhos mais inventivos de Grant Morrison, tem uma narrativa quase convencional, mas funciona por dar novos ares a um personagem que, tempos atrás, era totalmente previsível.

E o grande barato dessa nova abordagem é nunca prever o que virá a seguir. Quanto a isso, Morrison ainda é insuperável.

Classificação

3,0

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