Corporação Batman – Volume 3

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 14 maio, 2013

Corporação Batman - Volume 3Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Grant Morrison e Chris Burnham (argumento), Chris Burnham, Andres Guinaldo e Bit (arte), Frazer Irving (arte e cores), Nathan Fairbairn (cores) – Publicado originalmente em Batman, Incorporated # 0 a # 6.

Preço: R$19,90

Número de páginas: 168

Data de lançamento: Março de 2013

Sinopse

Com a revelação de que a líder da organização criminosa internacional Leviatã é na verdade a ex-amante de Batman e mãe de seu filho, Tália Al Ghul, essas duas forças implacáveis que representam o bem e o mal na Terra prosseguem em sua guerra ao redor do globo.

Finalmente, o plano do Leviatã começa a ganhar forma, e o preço do combate poderá ser alto demais, quando Batman deve escolher entre Gotham e Damian.

Positivo/Negativo

Numa das muitas entrevistas que marcaram a espera pelo lançamento da minissérie Crise Infinita, no já distante ano de 2005, o roteirista Mark Waid fez declarações sobre o Homem-Morcego que causaram polêmica e lançaram nas alturas a expectativa dos fãs. Na visão do autor, Batman na época estava “quebrado” como personagem, agindo como um imbecil em suas histórias, e todo o Universo DC só poderia se beneficiar de uma nova direção que enxergasse seus integrantes, essencialmente, como super-heróis “de verdade”.

Waid contava com o apoio do colega Grant Morrison, antes mesmo que este fosse anunciado como responsável pela fase seguinte de histórias do Morcego, e ambos ficariam encarregados de colocar a casa em ordem.

Como de fato aconteceu pouco depois, Morrison assumiu o título mensal de Batman e lançou o personagem por caminhos inesperados, quebrando paradigmas e privilegiando a imaginação no lugar do padrão de vigilante sombrio e amargurado.

O personagem prosseguiu como uma criatura da noite, é verdade, mas o foco de suas aventuras mudou consideravelmente, com uma nova dinâmica de relacionamentos privilegiados pela chegada de Damian.

O filho de Bruce Wayne com Tália Al Ghul foi resgatado por Morrison logo em seu primeiro arco na revista, que buscou elementos das histórias clássicas da dupla Denny O’Neil e Neal Adams, da graphic novel O filho do Demônio e de todo o conjunto apreciável de narrativas do Cavaleiro das Trevas.

A escala das ações do Cruzado Encapuzado tornou-se muito mais global e enérgica, com sementes sendo plantadas na história de um futuro desolado para Gotham City, um clube internacional de heróis inspirados na figura de Batman e eventos que levaram o vigilante a “descansar em paz”. Damian assumiu a identidade de novo Robin quando Bruce foi dado como morto, e evoluiu de forma notável como parceiro juvenil e super-herói.

Mas a nova série mensal Batman e Robin não marcaria o limite das inovações do roteirista. Inspirado pela onipresença do símbolo do Morcego na época do filme lançado em 1989 com direção de Tim Burton, o escocês lançou a Corporação Batman, uma organização financiada publicamente por Bruce Wayne com justiceiros uniformizados de diversos países, sob o comando do defensor de Gotham City. E é esta jornada que caminha para seus momentos decisivos no terceiro especial da série, publicado pela Panini, com mais sete histórias do título.

A Corporação Batman é uma ideia controversa por natureza, já que Batman foi mais bem compreendido em tempos recentes como uma figura amarga e solitária. Contudo, o vigilante sempre fez uso de uma rede de associados em sua guerra contra o crime, e a escalação de aliados em nível global pode ser bem aceita, ainda que não seja exatamente natural.

Nas histórias deste encadernado, a crise planetária é de origem familiar, e fica claro o quanto envolvimentos afetivos podem ser prejudiciais para quem dedica a existência ao ideal da justiça.

O enfoque agora é menos na organização internacional de vigilantes, e mais no drama de Bruce Wayne, Damian e Tália. Morrison revisita vários momentos marcantes da jornada de amadurecimento desses personagens, e sobe a dose de adrenalina. A trama do Leviatã está no auge, culminando numa batalha aérea entre morcegos-humanos e o exército robótico de Batman, heróis previamente tombados e uma ligação essencial entre as tragédias do presente com o futuro sem esperança adotado pelo autor. As diversas linhas narrativas da série já estão se ligando, num painel amplo e apreciável.

Na arte, Chris Burnham não apresenta um trabalho tão espetacular como o de Frank Quitely ou Andy Kubert, mas consegue ilustrar os delírios de Morrison com dignidade. São vários os momentos em que o desenhista surpreende por suas composições arrojadas e poses reveladoras, com um senso de design todo especial.

Hoje, não há dúvidas de que Morrison acertou a mão ao redimensionar os rumos do Morcego, e que suas histórias deverão repercutir por um longo período. Assim, Batman e todos os seus “filhos” seguem com a certeza de fôlego renovado para as próximas décadas.

Classificação

4,0

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