Corrida Maluca

Por Gustavo Nogueira
Data: 24 dezembro, 2018

Corrida MalucaEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Ken Pontac (roteiro) e Leonardo Manco (desenhos) – Originalmente em Wacky Raceland # 1 a # 6 (tradução de Eric Novello).

Preço: R$ 25,90

Número de páginas: 168

Data de lançamento: Julho de 2018

Sinopse

Em um mundo pós-apocalíptico, à beira do colapso, um grupo de corredores foi selecionado por uma voz misteriosa conhecida apenas como Locutora.

Os carros deles agora possuem armamento embutido e inteligência artificial avançada, e os pilotos receberam apenas uma instrução: começou a corrida e o vencedor ganhará acesso a Utopia, uma terra mágica onde o mundo ainda prospera. Aos perdedores, restará apenas a morte.

Positivo/Negativo

Logo no início do texto de contracapa desta edição há a frase: “O que aconteceria se misturássemos o clássico Corrida Maluca com uma pitada de Mad Max para criar algo completamente novo?”. Esta é a premissa desta HQ.

A ideia é curiosa e consegue chamar a atenção, mas o que se vê não é nem Mad Max, e muito menos Corrida Maluca.

Esta aventura faz parte da linha de adaptações Hanna-Barbera/DC Comics, na qual se viu obras como Scooby – Apocalipse, Future Quest e Os Flintstones. Em todas elas, há um ar de renovação e nostalgia, e histórias com altos e baixos, mas na versão de Pontac são bem mais baixos do que altos.

Qualquer leitor que busque esta edição terá o processo de identificar os personagens que estão em sua memória e entender suas novas versões. E aí se encontra o primeiro problema dessa corrida apocalíptica: os personagens têm apenas resquícios da versão original, seja em visual, seja em personalidade. Tirando os nomes, poucoi restou.

E o que dizer sobre agora os carros falarem e terem personalidade? Este artifício é colocado na trama, mas não auxilia em nada; é só algo inusitado.

Como na animação, há muitos personagens, um desafio para o desenvolvimento deles. O roteirista utiliza flashbacks para construir a história de cada um, mas quase sempre isso é feito de forma rasa e confusa, chegando a atrapalhar a trama principal.

O enredo traz basicamente corridas em que algum problema ocorreu em seu percurso. No entanto, com o passar das edições isso se torna cansativo e repetitivo. Existe ainda a tentativa pífia de criar relações entre os personagens, como Dick Vigarista e Penélope Charmosa.

A arte de Leonardo Manco é competente, há somente alguns pequenos deslizes em grandes cenários. O maior incômodo está nas mudanças de layout das páginas feitas para aumentar a ação da cena, mas que acabam criando algo desconexo e confuso. A colorização de Mariana Sanzone é o que mais chama a atencão na obra, com tons mais escuros e muita sombras e alternando bem as diferenças entre personagens e o cenário.

Corrida Maluca é uma ideia boa que gerou uma HQ fraca, cuja maior maluquice foi ter sido lançada.

Classificação:

1,5

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  • Chefe O’Hara

    Ainda não cheguei a ler, mas se tem o mesmo número de personagens do desenho original, era uma boa idéia ter cortado alguns. Se tiver as mesmas dez equipes e os VINTE E UM competidores… Quando reusaram o conceito e lançaram lá nos 80s a “Corrida Espacial” com os personagens tradicionais dos desenhos da HB, fizeram-na com um elenco mais enxuto, de cinco duplas e um trio (e poderíamos dizer que o elenco era ainda menor se considerarmos que a equipe do Capitão Guapo era a do Falsão disfarçada…). O mesmo para a versão 2017 do desenho, onde reduziram o elenco pra sete corredores divididos em cinco equipes.

    (Agora, se realmente eles mantiveram o elenco da velha CM, então talvez devessem ter chamado Paul Levitz pra escrever, já que ele lidava com maestria com os 25 integrantes da Legião dos Super-Heróis…)

  • CadoCal

    Transformar um clássico bem humorado numa disputa selvagem,na qual só um irá se salvar enquanto os outros se ferram é uma heresia imperdoável!Sem falar nas mudanças no visual dos personagens como o(antes rechonchudo)Mutley,que ficou irreconhecível!Eu não compraria esse troço nem se custasse apenas R$ 5,90!