Corto Maltese – As Helvéticas

Por Eduardo Nasi
Data: 17 agosto, 2012

Corto Maltese - As HelvéticasEditora: Nemo – Edição especial

Autores: Hugo Pratt (texto e arte), Marco Steiner (prefácio), Marco D’Anna (fotos do prefácio) e Reginaldo Francisco (tradução) – Originalmente em Corto Maltese – Les Helvétiques.

Preço: R$ 49,00

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Julho de 2012

Sinopse

Na Suíça, acompanhado de seu amigo Jeremiah Steiner, Corto Maltese chega à casa do escritor Herman Hesse. Lá, toma emprestado um exemplar de Parsifal, livro que será seu guia em uma viagem pela mitologia helvética.

Positivo/Negativo

A série Corto Maltese é uma obra-prima de Hugo Pratt. Mas mesmo numa obra-prima há pontos mais baixos e outros mais altos. E não restam muitas dúvidas de que As helvéticas é um desses picos.

A história é fantástica. Viajando pela Suíça, Corto Maltese chega à casa do escritor Herman Hesse – o autor do cultuado O lobo da estepe – e acaba vivendo uma alucinante (e talvez alucinada) versão de Parsifal. Na trama, referências a alquimia, cabala, o Graal, Lewis Carroll…

A densidade das citações impressiona, mas não deve assustar: a história flui tão bem que o leitor pode simplesmente ignorá-las e entrar na narrativa fabulosa de Pratt.

A erudição, convém lembrar, é uma marca de Corto Maltese, mas nunca atrapalha o leitor. O volume A balada do Mar Salgado foi analisado pelo semioticista Umberto Eco com uma profundidade incomum, e é um exemplo das camadas de significados que Pratt cria em sua obra, embora mostre elementos que não tinham sido sequer cogitados por milhões de leitores até então.

Não se trata de sugerir que o leitor insista em continuar ignorando as referências, e sim de encorajá-lo a atravessar o álbum sem parar e, em seguida, se quiser, reler, ir atrás das informações que precisar etc.

Dá pra ler assim porque Pratt tem uma arte eficientíssima. Quer dizer: não são só os traços mais bonitos dos quadrinhos, eles também estão entre os mais competentes para conduzir uma narrativa. O resultado é que o leitor se torna capaz de atravessar uma colcha de retalhos de cultura europeia com a mesma naturalidade com que lê um gibi do Cebolinha.

Como apoio para a leitura, a edição da Nemo traz um prefácio ilustrado que antecipa e explica algumas das referências que virão a seguir. O texto tem alguns floreios que contrastam com a objetividade de Pratt, mas, ainda assim, pode ser um ponto de partida para a pesquisa.

Embora chegue ao Brasil com um quarto de século de atraso, As helvéticas é um lançamento com fôlego suficiente para se destacar como um dos grandes títulos de 2012.

Classificação

5,0

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