CRISE FINAL # 5

Por Eduardo Nasi
Data: 1 dezembro, 2010

CRISE FINAL # 5

Editora: Panini Comics – Minissérie mensal em sete edições

Autores: Grant Morrison (texto), JG Jones, Marco Rudy (arte), Carlos Pacheco (desenhos) e Jesús Merino (arte-final).

Preço: R$ 5,50

Número de páginas: 24

Data de lançamento: Novembro de 2009

 

Sinopse

Darkseid está cada vez mais perto de se adaptar definitivamente a seu novo corpo, e o surgimento do Quinto Mundo em cima de uma Terra devastada é apenas uma questão de tempo.

Os super-heróis que ainda não foram dominados por hospedeiros de Apokolips tentam se organizar e revidar.

Positivo/Negativo

Se tem uma coisa que Crise Final fez bem até agora foi colecionar detratores. Uma busca rápida no Twitter, feita na semana de publicação do último número da minissérie, mostra um punhado de depoimentos.

Crise Final # 7: li e não gostei”, diz um.

“Para cada edição que leio de Crise Final, leio uma de clássicos da DC para limpar a mente!”, escreve outro.

Crise Final # 7: lixo! Culpa da DC, que deu seu universo pro Grant Morrison usar como se fosse um brinquedo na mão de uma criança!”, diz o editor deste site, que ao longo dos últimos meses elencou a minissérie entre as piores HQs que leu na seção Melhores e Piores do Mês, publicada no blog da casa.

Mas que lugar melhor para um brinquedo estar do que nas mãos de uma criança? E, se criar HQs de super-heróis é uma atividade lúdica, que autor melhor para brincar com a DC do que Grant Morrison?

Alguns detratores têm insistido no argumento de que a série não faz sentido. O que é evidentemente uma bobagem: ela faz. Tanto faz, que esta é a quinta resenha da série, e, até agora, tudo nela não só se encaixa, mas também a história flui bem como poucas.

Aí o leitor detrator poderia argumentar que o comentarista, delirante, está inventando uma história da cabeça dele, porque seria um fanboy de Grant Morrison e não tem mais nada pra fazer da vida. Só que, sem combinar nada, por coincidência, outros comentaristas concordaram com a análise.

Aqui no Brasil, por exemplo, Felipe Morcelli, colaborador do site Multiverso DC, fez recentemente uma bela leitura da série em Filosofando – O artigo definitivo sobre Crise Final (mas atenção: o texto contém informações sobre Crise Final # 7).

Lá fora, há dezenas de sites lendo a história também – até mesmo comentando os elementos página a página, como o insistentemente recomendado blog Final Crisis Annotations, do crítico Douglas Wolk (Reading Comics).

É importante ressaltar que Crise Final faz sentido a esta altura. Porque, para quem está acompanhando a série com afinco, a trama está apenas correndo muito bem. A história em si está clara e acessível. O roteiro não tem nada de hermético.

Um bom leitor sabe dizer exatamente em que pé a história está: a Terra foi tomada pelo mal e está prestes a sucumbir a Darkseid, que planeja criar o Quinto Mundo. Os maiores super-heróis do planeta foram derrotados e os que sobraram estão se virando pra ficar em pé.

Há cenas ótimas, vibrantes mesmo. Tendo Desaad como hospedeiro, a virginal Mary Marvel se tornou uma libertina que simula sexo sadomasoquista com Freddie Freeman (ex-Capitão Marvel Jr, atual Capitão Marvel) e esmurra Supergirl.

Aliás, não falta ação e pancadaria: características das HQs de super-heróis. E, no fim, Darkseid domina a Terra. Sério: como é que alguém pode dizer que Crise Final não é empolgante?

Claro que a leitura da minissérie exige que o leitor tenha alguma boa vontade e faça um esforço para prestar atenção nos detalhes (nota do UHQ: isso inclui acompanhar as outras séries paralelas) – porque nada é gratuito. A experiência de leitura acaba sendo diferente – principalmente porque as HQs de super-heróis costumam ser pouco desafiadoras -, mas está longe de não ter sentido.

Dizer que não lê Crise Final porque é difícil é como dizer que não lê mangá porque a história está de trás pra frente.

Classificação:

4,0

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