CRISE FINAL # 6

Por Eduardo Nasi
Data: 1 dezembro, 2010

CRISE FINAL # 6

Editora: Panini Comics – Minissérie mensal em sete edições

Autores: Grant Morrison (texto), JG Jones, Marco Rudy, Carlos Pacheco, Christian Alamy e Jesús Merino (arte), Alex Sinclair e Pete Pantazis (cores).

Preço: R$ 5,50

Número de páginas: 24

Data de lançamento: Dezembro de 2009

 

Sinopse

Darkseid está prestes a dominar o mundo. Superman está preso no futuro. Mulher-Maravilha foi dominada. E um herói vestido de morcego pode ser a última esperança do universo.

Positivo/Negativo

Como já foi debatido nas resenhas das edições anteriores, Crise Final não é sem sentido e seu roteiro não é só uma “piração” do “maluco” do Grant Morrison – como muitas vezes os próprios editores da Panini definem em seções de cartas, blogs e outros espaços, fazendo um desserviço ao leitor.

Mas, ao mesmo tempo em que se louvam os méritos, não dá para ignorar que esta edição mostra uma queda na qualidade da série.

A culpa é dividida entre uma porção de gente: o próprio Morrison, os artistas, o modelo de negócio das editoras de super-heróis e até as opções editorais da Panini.

Cabe aqui passar por cada um dos culpados, a começar pelo roteirista.

Morrison começou a minissérie com um modelo ousado – ao menos pro preguiçoso mercado norte-americano de leitores de quadrinhos, mais acostumado a discutir boatos do que histórias. Essa característica permanece, e isso é louvável.

O autor começa bem, com três páginas encantadoras mostrando Brainiac 5 e Superman no futuro. A batalha do bem contra o mal também tem seus bons momentos.

Só que esta não é uma edição qualquer. É aqui, com o perdão do spoiler, que morrem Batman e Darkseid – uma das estrelas da DC e um de seus vilões mais interessantes. E a cena das mortes é bobinha e inverossímil. Decepciona. E muito!

Decepciona também por conta dos artistas. JG Jones, o titular, dá conta da cena da morte, mas ele não desenha toda a revista. E, se isso não foi grave na edição anterior, nesta é. Há páginas que ficaram confusas, e outras que tiveram um acabamento apressado.

A despeito dos problemas pessoais de Jones, o modelo de negócios das revistas americanas de super-heróis é um problema. Nesse sistema, os artistas são obrigados a produzir 22 páginas por mês, custe o que custar.

Normalmente, o que custa é a qualidade da própria HQ: roteiros apressados, interligações malfeitas, desenhos ruins, tapa-furos. Jones não deu conta. Despede-se da série nesta edição. E o miolo ficou uma mixórdia.

Mas a mixórdia começou antes, já no primeiro quadrinho da HQ, quando Superman está de volta da aventura mostrada em Crise Final Especial # 6 – que só chegou às bancas um mês depois desta edição.

Para quem está juntando as pecinhas para entender a série, é um baque. Superman nem foi, mas já está de volta. Como é isso? Confusão da Panini, que deveria primar por esclarecer o leitor em vez de complicar.

Uma boa HQ é o resultado do equilíbrio da boa contribuição de seus autores. Não adianta um baita texto com um desenho capenga, e de pouco ajuda um Milo Manara pra desenhar um roteiro de Fabian Nicieza.

Crise Final # 6 tem bons desenhistas e um grande roteirista e sai por uma editora competente. Mas, quando todo mundo falha um pouquinho, o estrago no resultado final se torna gritante.

Classificação:

4,0

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