Crise nas Infinitas Terras # 2

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 28 setembro, 2012

Crise nas Infinitas Terras # 2Editora: Panini Comics (Minissérie em duas edições)

Autores: Marv Wolfman (roteiro), George Pérez (co-argumento e desenhos), Dick Giordano, Mike DeCarlo e Jerry Ordway (arte-final) e Tom McCraw (remasterização de cores).

Preço: R$ 15,90

Número de páginas: 240

Data de lançamento: Dezembro de 2003

Sinopse: O Multiverso está ameaçado. A criatura chamada Anti-Monitor lançou uma nuvem de antimatéria para consumir infinitas realidades paralelas, e a maior fonte de oposição a ele pereceu. Universos inteiros foram consumidos sem oportunidade de defesa, e as poucas Terras remanescentes não resistirão por muito tempo.

Agora, os maiores super-heróis de diferentes origens estão reunidos para preservar a vida e deter um inimigo implacável. E o preço cobrado pelas batalhas seguintes será alto demais.

Positivo/Negativo: A maxissaga em 12 edições Crise nas Infinitas Terras, publicada originalmente em 1985, mudou os rumos do Universo DC, reuniu um número nunca antes visto de super-heróis e definiu novos alicerces para a indústria de quadrinhos. Mas o ponto que merece ser salientado sobre a produção épica do roteirista Marv Wolfman e do ilustrador George Pérez, é que trata-se, antes de tudo, de uma boa história.

O texto continua funcionando após todos esses anos, como uma trama de ficção científica atemporal sobre heroísmo e o valor do sacrifício. Os super-heróis da DC foram levados a limites extremos, alianças inesperadas e decisões difíceis.

E tudo isso com um número indefinido de personagens e infinitas realidades como cenário. Wolfman enxergou em Crise a possibilidade de realizar o sonho infantil de reunir todos os heróis da editora e consertar a cronologia de seu universo ficcional, e apresentou o melhor trabalho de sua vida. Mas, além da comemoração dos 50 anos da DC, que problemas pediam uma trama tão ambiciosa?

Em meados da década de 1980, o mundo dos quadrinhos da DC era uma bagunça. Desde o surgimento do segundo Flash, Barry Allen, em 1956, na história que lançou a Era de Prata, ficou estabelecido que os novos heróis habitavam um universo diferente daquele onde se aventuravam seus predecessores da Era de Ouro.

Barry, inclusive, costumava ler gibis sobre o Flash original, Jay Garrick. A situação se complicou com a história Flash de dois mundos, que saiu em 1961, na revista The Flash # 123, na qual os dois heróis finalmente se encontraram. Estava clara a existência de um novo Multiverso, e que seria possível viajar de uma Terra para a outra.

Com o tempo, roteiristas cheios de criatividade trataram de povoar um número crescente de realidades alternativas, como um mundo dominado por vilões, a nossa própria Terra, em que os super-heróis são personagens fictícios, e outras para criações de editoras falidas que a DC absorvia. Era uma situação fascinante para os fãs, mas que resultava em versões redundantes de Superman, Batman, Mulher-Maravilha etc., e afastava potenciais novos leitores. A solução veio com Crise nas Infinitas Terras.

Dando continuidade aos eventos narrados no primeiro volume, os capítulos mais dramáticos da Crise apresentam a morte de dois ícones da história da nona arte: a Supergirl e o Flash. Vale dizer que mesmo quem nunca leu uma história desses personagens se emociona ao conferir o destino trágico que os esperava, tamanha a carga dramática do argumento de Wolfman e dos desenhos de Pérez.

Mortes e ressurreições nos quadrinhos se tornaram um elemento banalizado em tempos recentes, mas em Crise o leitor realmente se importava. Impressiona como as páginas finais da existência de Kara Zor-El estão entre as mais contundentes da trajetória editorial da prima do Superman. Tanto que, de todas suas aventuras pós-retorno, nenhuma consegue o mesmo impacto.

O Anti-Monitor representou um inimigo de valor inquestionável na narrativa, a própria essência da destruição encarnada. Da mesma forma, os heróis surgidos na trama, como Precursora e Alexander Luthor, significaram a esperança de um amanhã melhor. O traço de Pérez na série está perfeito, explorando o máximo de detalhes das investidas heroicas e com uma beleza a ser apreciada por longos períodos.

Crise nas Infinitas Terras marcou uma era de amadurecimento para as revistas de super-heróis, ao lado de obras como Watchmen e Batman – O Cavaleiro das Trevas, lançadas no ano seguinte.

Além disso, abriu caminho para as reformulações do Superman por John Byrne, do Morcego por Frank Miller e da Mulher-Maravilha por George Pérez. Grandes crossovers reunindo personagens distintos e mudando “para sempre” seus universos se tornaram padrão, mas poucos alcançaram o impacto do original.

Verdade que muitos dos avanços da história acabaram desfeitos em eventos posteriores, como Zero Hora e Crise Infinita, com a volta do Multiverso e o retorno da Supergirl e de Barry Allen. Mas nada disso apaga a importância da história para os quadrinhos de super-heróis e o valor de suas páginas.

Foi lançado mais um “capítulo perdido” da Crise em 1999, com Paul Ryan no lugar do ilustrador George Pérez, e em 2005 saiu uma adaptação da megassaga em prosa literária, escrita pelo próprio Wolfman, que lhe permitiu abordar o texto sob um prisma mais pessoal.

A edição da Panini traz uma galeria de capas e textos de Dick Giordano e Marv Wolfman, em que este último reflete sobre o desempenho da obra, além de um caderno de esboços. E é oportunidade perfeita para se experimentar uma obra-prima (que já está merecendo republicação no Brasil) em toda a sua glória.

Classificação

5,0

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