Crise nas Múltiplas Terras – Volume 1

Por Eduardo Nasi
Data: 29 agosto, 2008

Crise nas Múltiplas Terras - Volume 1Editora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Gardner Fox (texto), Mike Sekowsky (desenhos), Bernard Sachs e Sid Greene (arte-final).

Preço: R$ 48,00

Número de páginas: 208

Data de lançamento: Agosto de 2008

Sinopse: Reunião de diversas histórias que mostram Liga da Justiça, Sociedade da Justiça e o Sindicato do Crime viajando entre suas Terras paralelas – e dando origem ao Multiverso DC.

Positivo/Negativo: Não dá nem para começar a questionar a importância de um álbum como Crise nas Múltiplas Terras para os quadrinhos de super-heróis. Ela é inegável.

Nessas histórias, o Multiverso DC começou a tomar consistência – e criando um mote que até hoje rende algumas das mais badaladas (e nem sempre melhores) HQs da editora de Superman e Batman. Sem elas, não haveria Crise nas Infinitas Terras. Algumas das melhores obras de Alan Moore com os personagens da editora seriam bem diferentes. E talvez a Sociedade da Justiça tivesse se perdido em algum canto do passado.

Segundo essas aventuras, várias Terras paralelas coabitam um mesmo Multiverso. Todas ficam mais ou menos no mesmo lugar no cosmos. O que as separaria não é uma distância física, e sim a freqüência de sua própria vibração. Se essa freqüência é alterada, as Terras se aproximam.

E é assim, alterando a freqüência do próprio corpo, que os super-heróis começaram a atravessar a barreira que separa os mundos.

O conceito é, de fato, um achado. Graças a ele, a Sociedade da Justiça ressurgiu na Terra-2. Da Terra-3, apareceu uma Liga da Justiça do mal – o tal Sindicato do Crime da América. Mais adiante, surgiram outras dimensões, como a Terra-S, em que os super-heróis eram a Família Marvel.

E foi justamente por conta desse conceito cósmico fenomenal que essas histórias se tornaram um clássico.

Afinal, quando julgadas como HQs mesmo, o álbum é um fiasco.

O texto é fraco, cheio de redundâncias em seus longos balões e seus recordatórios verborrágicos.

Por tabela, a narrativa é truncada e, portanto, maçante.

A arte não chega a ser toda ruim: Sekowsky desenha bons rostos e personagens elegantes. O problema é que seu desenho não tem muita profundidade. Os personagens se empoleiram nos quadrinhos – como se fosse um proto-Renascentista!

E há erros primários, como a aparição de Snapper Carr, uma espécie de mascote da Liga, ao lado dos heróis numa aventura da qual ele não participa – confira nas páginas 81, 83, 83 e 86.

Essas marcas de um trabalho apressado, tosco, são características dos super-heróis da época. Naqueles dias, os quadrinhos eram vistos, até mesmo por seus produtores, apenas como um produto comercial sem valor artístico – e muitas vezes eram feitos nas coxas.

Se isso explica, não justifica: pra ficar em um único exemplo, Will Eisner, com Spirit, já tinha mostrado ao mundo o que os quadrinhos podiam fazer.

Mas, apesar da execução pífia, a idéia que está por trás de Crise nas Múltiplas Terras é grandiosa. E a Panini (que vacilou ao não creditar a capa do encadernado a Alex Ross) foi na onda e imprimiu as histórias em um volume de capa dura e papel couché. A gramatura do papel, é bem verdade, ficou aquém do necessário para o excesso de cor de algumas páginas, que deixam transparecer o outro lado. Mas isso é só um detalhe. Afinal, não é toda hora que se tem uma edição tão bonita para histórias tão chatas.

Classificação

2,0

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