DC 2000

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 3 julho, 2015

DC 2000 # 1Editora: DC Comics – Minissérie mensal em duas edições

Autores: Tom Peyer (roteiro), Val Semeiks (desenhos), Prentis Rollins (arte-final) e John Kalisz (cores).

Preço: US$ 6,95 (cada)

Número de páginas: 64 (cada)

Data de lançamento: 2000

Sinopse

Quando uma tecnologia futurista surge na América de 1941, os heróis da Sociedade da Justiça entram em rota de colisão com a Liga da Justiça, com o futuro da Terra na balança. E tudo não passa de um grande plano do vilão F.U.Turo para dominar o mundo.

Positivo/Negativo

A minissérie DC 2000 chamou a atenção dos leitores brasileiros por sair com o título da saudosa revista, dos tempos do formatinho, pela Abril Jovem, mas foi na verdade uma sequência temática do crossover DC Um Milhão.

Na saga orquestrada por Grant Morrison, a Liga da Justiça do presente recebia a visita de seus herdeiros do século 853, integrantes da Legião da Justiça A, convidando-a para festividades numa data longínqua.

Já na trama do escritor Tom Peyer, é a Sociedade da Justiça da década de 1940 que se encontra com a Liga da Justiça de um tempo futuro, numa trama de viagem no tempo que envolve o potencial da tecnologia e dilemas éticos mais prementes.

Se na cronologia pós-Crise nas Infinitas Terras as duas equipes sempre habitaram a mesma Terra, tendo sido apenas o surgimento de cada uma separado por algumas décadas, é natural explorar o fenômeno por meio de discrepâncias cronais. E Peyer sai do óbvio e apresenta uma narrativa diferenciada, com boas caracterizações.

DC 2000 # 2Vale questionar como os heróis de 1941 receberiam as imagens de cinco décadas à frente, com bomba atômica, um presidente norte-americano caído em desgraça e música “corrompendo a juventude”. Esse choque de valores é essencial à compreensão de DC 2000, muito mais que superpoderes e uniformes coloridos.

Ainda assim, a página dupla com a confraternização das duas equipes de justiceiros não deixa dúvidas sobre a natureza da aventura. Mais uma vez, os maiores times de heróis da DC Comics estão reunidos, e que nada resista em seu caminho na luta por justiça.

Em vez de celebrar histórias clássicas, contudo, os autores brincam com as convenções do gênero e viram do avesso as certezas e inseguranças de cada personagem. O resultado é positivo, mas acaba faltando algo.

Na época, a Liga da Justiça vivia uma fase de explosão criativa, como o melhor blockbuster em quadrinhos de super-heróis. E a Sociedade renascida também fazia bonito, mesclando heróis de ontem e de hoje. A minissérie DC 2000 seguiu uma ideia original para o confronto de duas realidades distintas, mas falhou em resgatar a grandiosidade que as equipes experimentavam em suas séries mensais.

E ficou chato para o leitor o custo elevado de cada edição de luxo com papel especial, encontrando uma história menos digna que a dos títulos regulares. Há até uma cena envolvendo Batman e Superman que explora as diferenças entre os dois ícones da editora, mas não vai muito além disso.

É um olhar diferente sobre encontros da Sociedade com a Liga, mas ainda residindo numa narrativa convencional. Peyer deveria ter se esforçado mais para justificar suas ideias fora dos padrões.

Na arte, Val Semeiks também não repete o brilho de trabalhos anteriores com os personagens, alternando imagens poderosas e fisionomias esquisitas (especialmente com o Homem de Aço).

O roteirista Tom Peyer tem no currículo uma longa fase à frente da Legião dos Super-Heróis, a revista mensal do robótico Homem-Hora e, por um tempo, especulou-se que poderia assumir a Liga da Justiça, após a saída de Mark Waid. Ele escreveu projetos diferentes com a equipe, tais como o evento Justice Leagues e esta minissérie.

Mas a verdade é que ele se sai melhor quando investe na intimidade dos heróis do que olhando para o plano maior. Resgata o brilho da Era de Prata dos quadrinhos, mas nem sempre se adapta ao contexto moderno. E DC 2000 comprovou que sua abordagem pouco convencional nem sempre pode salvar uma execução sem atrativos.

Classificação

3,0

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