DC ESPECIAL # 16 – GOTHAM CITY CONTRA O CRIME

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2008


Autores: Natureza – Greg Rucka (roteiro) e Steve Lieber (arte);

Robin Morto – Ed Brubaker, Greg Rucka (roteiro) e Kano (arte);

Domingo Sangrento – Greg Rucka (roteiro) e Steve Lieber (arte);

Corrigan II – Greg Rucka (roteiro), Kano e Gaudiano (arte).

Preço: R$ 21,90

Número de páginas: 208

Data de lançamento: Dezembro de 2007

Sinopse: Natureza – Dois policiais corruptos vão descobrir que têm mais a temer em Gotham do que os olhos atentos da UCH – Unidade de Crimes Hediondos.

Robin Morto – Quando garotos vestido de Robin começam a aparecer mortos por toda a cidade, a UCH tem um problema em suas mãos, pois seu principal suspeito é o Batman.

Domingo Sangrento – A pedra da Eternidade explodiu, os sete pecados capitais estão livres e no meio de toda essa confusão estão os dedicados detetives da UCH.

Corrigan II – Todos sabem que o criminalista Jim Corrigan é corrupto e faz tudo para conseguir dinheiro. Contudo, quando o detetive Crispus Allen começa a investigá-lo, ele pode descobrir que Corrigan é mais perigoso do que todos pensavam.

Positivo/Negativo: Gotham Contra o Crime é um título com uma situação editorial complicada no Brasil. É uma excelente e premiada série policial que joga um olhar diferenciado na situação das pessoas normais no universo do Batman, mas que foi mal trabalhada aqui.

Defasada cronologicamente desde que a Panini assumiu os títulos da DC, foi sendo publicada em encadernados e sairia sem problemas se não tivesse sido repentinamente conectada ao restante do Universo DC durante a Crise Infinita. Assim, a revista chegou ao leitor praticamente um ano depois de ele descobrir o final da história.

É uma pena, porque ao ler a revista qualquer um que tenha acompanhado a DC neste último ano fica apreensivo esperando o momento em que o Detetive Allen será assassinado por Corrigan, virando o novo hospedeiro do Espectro; e que Montoya abandonará o distintivo para virar uma investigadora particular.

Mesmo assim, o encadernado continua valendo a pena, pois a narrativa é envolvente. Mais do que as tradicionais histórias de “gato e rato”, Gotham City Contra o Crime mostra a vida em uma cidade deformada, onde assassinos nascem da simples loucura local. Como se vê em Robin Morto, quando é revelado que a motivação do assassino em série é, praticamente, conhecer o Batman.

Antes da aventura derradeira da série, o encadernado ainda traz uma ligação com Dia de Vingança, que ocorreu na Contagem para a Crise Infinita. Nessa história fechada, após a explosão da Pedra da Eternidade, Allen e Montoya sofrem a influência da Ira, um dos pecados mortais liberados no evento.

Vale dizer que a revista conta com uma excelente participação do Capitão Marvel, exatamente em um dos momentos mais dramáticos da carreira do herói.

Para fechar a série, Greg Rucka retoma a questão da corrupção endêmica do Departamento de Policia de Gotham City focando no caso de Jim Corrigan, um criminalista que muitas vezes prejudica o trabalho da UCH por pura ganância.

Na trama, ele se mostra muito mais inteligente e cruel do que todos pensavam. A ponto de arquitetar a morte de Allen de uma forma que a UCH saiba que é o culpado, mas não tenha como provar.

Sozinho, Corrigan mostra como a elite dos policias de Gotham não tem a menor chance de sobreviver em uma cidade controlada por tipos como ele. A questão é tão séria que leva Montoya a abandonar o seu cargo.

É preciso dizer ainda que esta série é mais do que um roteiro bem elaborado. Ela tem um bom trabalho do editor original, que teve o cuidado de selecionar artistas capazes de manter uma identidade visual homogênea e um traço de qualidade. A arte é extremamente simples, com poucas (mas eficientes) linhas que expressam o clima da situação sem precisar recorrer para às angulosas estilizações.

Kano merece especialmente destaque pelas impactantes páginas em preto-e-branco em Corrigan II e pela seqüência que os detetives Patton e Chandler confrontam o Batman. Não se pode deixar de elogiar também o colorista Lee Loughridge, que teve grande participação na composição do clima tenso e sombrio que permeia toda a série.

Finalizando, cabe uma nota sobre a ironia de o criminalista corrupto que mata o detetive Allen se chamar Jim Corrigan, o mesmo nome do hospedeiro original do Espectro, entidade que durante a Crise Infinita é aprisionada no corpo de Allen.

E a edição nacional traz um erro: no sumário está escrito que a conclusão de Robin Morto é na página 73, quando, na verdade, a parte 3 é nessa página e a última parte se inicia na 95.

Classificação:

4,0

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