DEMOLIDOR ANUAL 1 – REDENÇÃO

Por Mário César
Data: 1 dezembro, 2006


Título: DEMOLIDOR ANUAL 1 – REDENÇÃO (Panini Comics) – Edição especial

Autores: David Hine (roteiro), Michael Gaydos (desenhos), Lee Loughridge (cores), Bill Sienkiewicz (capas).

Preço: R$ 14,90

Número de Páginas: 148

Data de lançamento: Junho de 2006

Sinopse: O brutal assassinato de uma criança na pequena cidade de Redemption Valley, no Alabama, leva Matt Murdock a um caso que exigirá toda sua astúcia como advogado.

Longe da selva de concreto de Nova York, ele terá de bancar o advogado do diabo e provar que, com ou sem uniforme, é realmente um homem sem medo.

A história é baseada no caso batizado como The Robin Hood Hills Murders (Os assassinatos das colinas Robin Hood), no qual três garotos de oito anos foram mortos em West Memphis, Arizona, em 1993. Três adolescentes foram acusados e presos pelos crimes, apesar de parecer serem inocentes.

Positivo/Negativo: Incorporar eventos trágicos da vida real a quadrinhos de super-heróis costuma resultar em histórias exageradas no sentimentalismo e na pieguice. Não é o caso desta surpreendente minissérie. O roteiro foge do lugar comum e passa uma bela mensagem com um final muito corajoso.

O roteirista David Hine (Distrito X) construiu uma trama na qual uma mãe pede desesperadamente a Matt Murdock para provar a inocência de seu filho, acusado pelo assassinato de um menino na cidade de Redemption Valley.

O texto segue a estrutura convencional de um filme de tribunal e brinca com o fato de nem o próprio Murdock ter certeza se o réu que defenderá é culpado ou inocente. Depois de um começo morno, a história ganha ritmo pela forma habilidosa como as peças do quebra-cabeça vão se encaixando e pelo bom desenvolvimento psicológico dos personagens. A cada novo capítulo, boas reviravoltas envolvem e mantêm o interesse do leitor.

A forma como a figura de um herói mascarado é trabalhada no contexto merece destaque. A interferência do Demolidor, um fora-da-lei, em um processo penal é questionada pela própria estagiária de Murdock, e chega a ser usada contra o réu.

Em outra bela passagem, o acusado sonha ser salvo pelo super-herói, sua única chance em um sistema que julga tudo pelas aparências e parece não funcionar a favor da justiça.

Todo o discurso humanista poderia cair numa pieguice sem fim, mas é muito bem trabalhado e ganha ainda mais relevância com um desfecho ousado e inspirado. O que parecia ser apenas um suspense, revela-se uma pesada crítica contra preconceitos e, principalmente, contra o sistema penal de alguns estados norte-americanos.

Outro ponto positivo: para se ler e entender esta obra não é preciso conhecer anos e anos de cronologia do personagem. Trata-se de uma história fechada, com começo, meio e fim. Uma pena isso ser uma exceção e não a regra nos quadrinhos do gênero.

A escolha de Michael Gaydos para desenhar não poderia ter sido mais feliz. Desde Alias – Conexão Mistério, ele vem demonstrando grande desenvoltura com suspense e drama. A narrativa, a noção de ritmo, os enquadramentos e o uso de luz e sombra dele são espetaculares.

As cores de Lee Loughrigde fogem da habitual pirotecnia dos super-heróis e ajudam a passar toda a atmosfera pesada de Redemption Valley. As belas capas de Sienkiewicz completam o pacote com perfeição.

O trabalho de edição da Panini é caprichado. Todas as capas foram reproduzidas no miolo e há notas explicando as referências no texto. A editora acertou também ao publicar todas as seis edições num único volume, pois o começo da história poderia passar a impressão errada sobre a real qualidade desta ótima minissérie.

 

Classificação:

4,0

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