DEMOLIDOR – DIABO DA GUARDA

Por Lielson Zeni
Data: 26 agosto, 2009


Autores: Diabo da guarda (publicamente originalmente em Daredevil Volume 2 # 1 – 8) – Kevin Smith (roteiro), Joe Quesada (desenhos), Jimmy Palmiotti (arte-final), Dan Kemp, Laura Depuy, Drew Yackey e Richerd Isanove (cores);

Demolidor ½ (publicada originalmente em Daredevil ½) – Kevin Smith (roteiro), J.G. Jones, Steve Dillon, David Mack, Jimmy Palmiotti e Kevin Nowlan, John Romita Sr., Jae Lee, Amanda Conner e John Cassaday (arte) e Chris Sotomayor (cores).

Preço: R$ 28,90

Número de páginas: 200

Data de lançamento: Julho de 2009

Sinopse: Enquanto Matt Murdock se confessa, uma jovem é perseguida por homens armados. O perdão do advogado cego pode esperar quando a ajuda do Demolidor se faz necessária.

E assim Matt Murdock acaba com um bebê sob seus cuidados – e ele pode ser Cristo renascido… ou o Anticristo.

Essa dúvida guiará o personagem por uma de suas melhores sagas.

Positivo/Negativo: Existem alguns personagens que parecem relegados a um “segundo escalão” de suas editoras. O Demolidor parece um deles. Se uma lista com cinco ou até dez heróis da Marvel for pedida para qualquer pessoa menos próxima os quadrinhos, é provável que o guardião da Cozinha do Inferno não apareça.

Por outro lado, o Demolidor e suas sagas são um verdadeiro manancial de bons autores, grandes momentos e tramas inesquecíveis. Frank Miller, Bill Sienkiewicz, Brian Michael Bendis, Alex Maleev, Ed Brubaker, John Romita Jr., só para citar alguns.

A saga Demônio da Guarda é mais um desses casos. Estreia do diretor de cinema Kevin Smith nos quadrinhos e também do selo Marvel Knights, cuja proposta era apresentar histórias mais maduras, sem chegar ao nível Marvel Max. O desenhista é o bom Joe Quesada.

Sim, o mesmo Quesada que se tornou editor-chefe da Marvel, se envolveu em grandes polêmicas e teve boas sacadas.

Ele é um artista bom em cenas de ação, razoável em expressões, um grande diagramador de páginas e detalhista o suficiente para as referências visuais plantadas pelo roteiro de Smith.

Mas, sem dúvida, o destaque de Diabo da guarda é o texto de Smith. O pressuposto de um herói cristão que se veste como demônio, em dúvida se a criança sob seus cuidados é cristo ou o demônio.

Os elementos essenciais da mitologia do Demolidor estão aqui: Karen Page, Foggy Nelson, o Rei do Crime, o Mercenário. Pequenos detalhes, como ainda sentir o cheiro da amada que o deixou há semanas em alguns objetos, graças aos seus sentidos aguçados, revelam muito sobre um personagem e sua percepção do mundo.

Assim, a mesma virtude do cineasta aparece no quadrinhista: os diálogos. Embora pareçam longos algumas vezes, são precisos e bem colocados. O texto do narrador, recurso um tanto em desuso nos quadrinhos americanos atuais, é muito bem resolvido e se completa com as imagens. Não soa como um mero reforço.

A edição encadernada da Panini, em papel couché e capa cartonada, é caprichada: reproduz as capas originais no miolo, tem prefácio de Joe Quesada e posfácio de Kevin Smith. E sai por um valor que pode ser considerado bem pago para ler esta saga pela primeira vez em formato americano no Brasil.

 

Classificação:

4,0

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