Demolidor – A queda de Murdock

Por Rodrigo Scama
Data: 9 maio, 2014

Demolidor – A queda de MurdockEditora: Panini / Salvat – Edição especial (volume 10 da Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel)

Autores: Frank Miller (roteiro) e David Mazzucchelli (arte), com Christie Scheele e Richmond Lewis (cores) – Originalmente publicado em Daredevil # 227 a # 233.

Preço: R$ 29,90

Número de páginas: 160

Data de lançamento: Fevereiro de 2013

Sinopse

O Rei do Crime descobre a identidade secreta do Demolidor e arma um plano que vai causar a derrocada do protetor da Cozinha do Inferno.

Positivo/Negativo

Um clássico. É assim que A queda de Murdock deve ser classificada, pois trata-se da maior história do Homem sem Medo já escrita.

Em 1986, Frank Miller estava no auge de sua capacidade artística e habilidade em criar e contar ótimas histórias. Prova disso é que sua principal obra, O Cavaleiro das Trevas, foi feito simultaneamente à analisada nesta resenha. E o autor simplesmente conta uma das melhores histórias não apenas do Demolidor, mas do gênero de super-heróis.

A revista Daredevil estava para ser cancelada e Miller a tornou campeã de vendas. Para tanto, não criou uma história do herói, mas sim de Matt Murdock. E não apenas utilizou o alter ego para conduzir a trama, mas também o destruiu.

A ideia de Miller tem a simplicidade da genialidade: o que aconteceria se o maior inimigo de um herói fantasiado descobrisse a identidade secreta dele? E se esse vilão fosse não outro fantasiado superpoderoso, mas sim um gângster que possui metade dos Estados Unidos em suas mãos?

Esta é a trama perpetrada por Miller, que relembra uma antiga namorada de Matt Murdock e a faz virar uma atriz pornô viciada em heroína, que vende o segredo de seu ex-amado para o Rei do Crime. O vilão, com todo o seu poder, simplesmente destrói a vida do advogado cego.

A partir daí, o que se vê é uma história de dupla vingança: primeiro do Rei contra o Demolidor, e depois de Matt Murdock contra o Rei. Mas não são vinganças fáceis. É muito raro ver um super-herói apanhar tanto, perder tanto, sofrer tanto. Uma das grandes questões da obra é: vale a pena ser herói?

E como toda grande obra, esta possui ótimas subtramas, como o relacionamento de Foggy Nelson, a redescoberta de uma suposta mãe para Murdock, o questionamento do Capitão América em relação à corrupção em seu país e a melhor de todas, a tensão de Ben Urich, que quer contar a história, mas vê-se impedido pelo medo.

Os desenhos de Mazzucchelli são um show à parte. Muito antes de seu maravilhoso Asterios Polyp, ele já deixava o leitor preso com sua arte e, principalmente, suas interpretações.

Se o leitor perceber, nas primeiras histórias Murdock está sempre em uma cama no primeiro quadrinho. E cada vez em uma cama menor, cada vez mais encolhido. O psicológico do personagem perpassa sua postura, seus gestos. O mesmo se dá com Urich, que vai ficando mais e mais caricato à medida que o medo se apodera dele, ou o rosto apaixonado de Nelson.

Esta obra foi publicada muitas vezes no Brasil, começando ainda em formatinho, nas revistas mensais e depois numa minissérie da Abril, em formato americano e capa cartonada. Na Panini, em 2010, ganhou uma versão compilada, com capa dura e muitos extras. Desta vez, a multinacional italiana se associou à espanhola Salvat (a edição é impressa na Espanha e importada para o Brasil) e lançou A queda de Murdock como parte de sua Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel.

Nesta edição, há poucos (mas interessantes) extras: um prefácio pelo homem que manda na Panini internacional, Marco Lupoi, um texto com a origem do personagem, as capas das revista originais norte-americanas e, ao final, as biografias de Miller e Mazzucchelli, a história da criação do Demolidor e uma galeria com várias interpretações do personagem ao longo dos anos, por diferentes artistas.

Enfim, um clássico que, se apreciadores de bons quadrinhos não têm, precisa ter. E se já têm, talvez até comprem de novo. Só para ter um de reserva.

Classificação

5,0

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  • BOLSÃO

    A minha tá aqui ao lado. Junho de 1990.