Desolation Jones – Made in England

Por Liber Paz
Data: 17 março, 2014

Desolation Jones – Made in EnglandEditora: WildStorm – Edição especial

Autores: Warren Ellis (roteiro), J. H. Williams III (arte) e Jose Villarrubia (cores) – Histórias originalmente publicadas nas edições # 1 a # 6 da série Desolation Jones, em 2005.

Preço: US$ 14,99

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Outubro de 2006

Sinopse

Em Los Angeles existe uma comunidade secreta. É composta por agentes especiais que foram “aposentados”. Proibidos de sair dos limites da cidade, eles tocam suas vidas da melhor maneira que podem, o que não impede que certos conflitos aconteçam. Nesses casos, Michael Jones entra em cena para resolver as questões.

Por isso, quando roubam sua inestimável coleção de filmes pornôs, o Coronel Nigh requisita os serviços de Jones. Começa aí um passeio pelas entranhas dessa misteriosa Comunidade, nos desdobramentos dessa insólita busca pelos pornôs de Hitler.

Positivo/Negativo

Esta seria uma definição para Desolation Jones: uma mistura das histórias noir de Dashiell Hammett com X-Men e toques de jornalismo gonzo.

Antes de tudo, é uma história sobre párias e marginais, almas embrutecidas que ainda guardam uma fragilidade comovente. Traz também boas doses de um exotismo quase grotesco.

Há um protagonista solitário e sofrido, quase o estereótipo do investigador durão e de coração de ouro. Michael Jones, talvez o único sobrevivente do projeto Desolation, carrega muitas cicatrizes e parece não temer mais nada que o mundo possa lhe infligir.

Como Humphrey Bogart, Desolation Jones é chamado para encontrar um Falcão Maltês, nesse caso uma extraordinária coleção de filmes pornôs caseiros realizados por Adolf Hitler.

Mais extraordinária ainda é a jurisdição de Jones, a Comunidade, composta por agentes afastados e projetos genéticos mal-sucedidos confinados à cidade de Los Angeles pelo resto da vida.

Inglês exilado, Made in England, como diz o subtítulo, Jones é um estranho entre os estranhos da Comunidade. Um sujeito mirrado, de cabelo branco e aparência doentia, que corre pelas ruas debaixo de um cobertor para se proteger da luz do sol.

Ele é um daqueles projetos genéticos mal-sucedidos.

Há também o advogado Jeronimus, que deveria ser um incrível soldado que só se alimenta quatro vezes ao ano. Só que, nesses momentos, precisa ingerir quantidades enormes de proteína. É o único membro da Comunidade que pode deixar Los Angeles, para correr atrás de vacas no Texas e devorá-las vivas.

Emily Crowe passou por um procedimento que deveria ter alterado sua produção de feromônios para transformá-la em uma irresistível femme fatale. Em vez disso, tornou sua presença profundamente apavorante para os outros seres humanos. Ela vive sozinha a maior parte do tempo, sem sair de seu apartamento, consumindo-se aos poucos.

Esses são alguns dos membros da Comunidade, que Jones vai apresentando em sua busca. Não há belos superpoderes, como voar ou ler mentes. Eles são mais como super-humanos que não deram certo, com habilidades extraordinárias que variam da tragédia à esquisitice inútil.

Coordenando esses elementos está Warren Ellis. Além das criativas excentricidades que permeiam a trama, conceitos como “supermodernismo” simplesmente surgem dos diálogos dos personagens, causando uma fascinante vertigem de informações.

Ellis vale-se dos recursos de seu estilo para contar a velha história do detetive que busca a misteriosa relíquia, com todos os seus desdobramentos em intrigas e conflitos. Os diálogos e a construção dos personagens são pontos altos da narrativa. Mas talvez Desolation Jones pudesse ter sido mais curta e objetiva. As cenas com o protagonista repassando didaticamente cada evento apresentado na trama são cansativas.

O belíssimo trabalho de J.H. Williams III destaca-se, com suas diagramações instigantes e desenhos expressivos e precisos. As variações das técnicas de ilustração dão força ao quadrinho e tornam sua arte uma atração à parte.

Ao fim, Desolation Jones diferencia-se não só do tipo de detetive eternizado por Bogart, mas dos próprios personagens típicos de Warren Ellis. Sem grandes rompantes de fanfarronice ou autoconfiança, é um sujeito bruto que pensa que não pode ser mais machucado do que já foi e, tristemente, descobre estar errado.

Dentre as obras do Ellis, ainda que tenha muitos momentos de ação e humor, Desolation Jones provavelmente é uma das mais melancólicas.

Classificação

4,5

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