Desvendando os Quadrinhos: Edição Histórica 10 Anos

Por Ronaldo Barata
Data: 21 maio, 2007

Desvendando os Quadrinhos: Edição Histórica 10 AnosEditora: M. Books – Livro Teórico

Autor: Scott McCloud (texto e arte).

Preço: R$ 45,00

Número de páginas: 266

Data de lançamento: Dezembro de 2004

Sinopse

Scott McCloud analisa as histórias em quadrinhos e sua linguagem, desde o começo da História humana até os dias atuais.

Positivo/Negativo

Sendo uma das principais obras teóricas sobre quadrinhos – e das mais famosas também – Desvendando os Quadrinhos tem como premissa a análise da nona arte em todo o seu contexto, do texto a arte, e a sua relação com a História e a comunicação humana.

Diferente de outras obras teóricas, como os livros de Will Eisner (Quadrinhos e Arte Seqüencial e Narrativas Gráficas), mais focados nos quadrinhos e sua metodologia, o de McCloud é uma análise sobre a comunicação visual, artística e verbal.

Ao longo das 266 páginas, todas em forma de história em quadrinhos, o autor leva o leitor ao (como ele mesmo batiza) Mundo dos Quadrinhos e todas as suas variedades. E se engana quem pensa que a viagem começa com o Yellow Kid… ela se inicia nas civilizações pré-históricas e suas artes rupestres.

É já no começo do livro o autor mexe com alguns preconceitos relacionados aos quadrinhos. McCloud os reitera como forma de contar histórias por meio de imagens e símbolos, o que acaba ligando a arte seqüencial ao princípio da comunicação e da arte, atacando diretamente a polêmica acerca da arte contida (ou não) nas HQs.

Essa não é a discussão principal, claro, mas serve de trampolim para que o autor possa esclarecer ao leitor (de maneira simples e direta) as diferenças entre as artes, veículos de comunicação e conteúdo.

O livro é dividido em nove capítulos mais uma introdução, mostrada em uma simples história de uma página que remete qualquer quadrinhista a uma situação relativamente comum na vida de cada um: a falta de conhecimento sobre o assunto que as pessoas em geral possuem.

No primeiro capítulo, Colocando os Pingos nos Is, McCloud entra também nas definições do que é quadrinhos e de onde vieram. Uma aula de história da arte e da comunicação que serve de base para o leitor entender os seguintes.

Em seguida, ele apresenta os elementos que compõem as histórias em quadrinhos, como eles funcionam na página e na mente do leitor (e também do autor) e explora suas possibilidades. E faz isso de maneira quase genial.

No entanto, os capítulos mais “técnicos” são interrompidos pelo sétimo, Os Seis Passos, que define de forma metafórica como se desenrola o desenvolvimento de um artista de quadrinhos.

Este capítulo é o mais pretensioso. Ele começa listando e analisando, em seis passos definidos pelo autor, o processo criativo desde a idéia até a obra final. E é aqui que McCloud começa a pecar.

Ele valoriza mais o trabalho de autores que fazem todo o processo, da criação às cores, deixando de lado os especializados – roteiristas e desenhistas que só exercem essas funções. Esta exaltação está presente em todo o livro, porém, é neste capítulo que se torna mais evidente.

Não que o autor tenha sido desdenhoso ou pejorativo. Longe disso. Ele apenas ignora uma gigantesca parcela do “Mundo dos Quadrinhos”. Claro que esses autores completos têm um papel valiosíssimo, mas ignorar uma parcela tão grande de desenhistas, arte-finalistas, escritores, coloristas etc. é algo que não deveria acontecer numa obra com a pretensão de falar de todo tipo de HQs.

Outro ponto desfavorável é a supervalorização de tudo o que é europeu ou japonês, algo que é pulverizado ao longo do livro, dando uma sensação de menor importância aos quadrinhos norte-americanos (tanto de super-heróis quanto underground, infantis etc.), uma indústria importantíssima.

Além disso, o livro deixa completamente ao relento quadrinhos feitos fora do eixo Estados Unidos-Europa-Japão. Outra falha para uma obra de pretensões tão abrangentes.

Mesmo assim, essas falhas não comprometem a qualidade do livro e nem a mensagem de seu autor. Desvendando os Quadrinhos é, sem dúvida, leitura obrigatória para todos que quiserem conhecer e discutir a arte seqüencial a fundo.

Classificação

4,5

• Outros artigos escritos por

.

.

.