DIDI & LILI – GERAÇÃO MANGÁ # 10

Por Cássio Peixoto
Data: 1 dezembro, 2012

DIDI & LILI - GERAÇÃO MANGÁ # 10

Editora: Escala – Revista mensal

Autores: Didi, o Lamparina Verde – Franco de Rosa (roteiro), Sergio Morettini (desenhos) e Daniel Rosa (letras);

Lili de Neve e os 7 anões – Wanderley Felipe (roteiro, desenhos, arte-final, cores e letras).

Preço: R$ 4,90

Número de páginas: 64

Data de lançamento: Dezembro de 2011

Sinopse

Didi encontra um alienígena moribundo e recebe dele um anel energético e uma lamparina que concede a ele poderes extraordinários. Além de usar seus dons para salvar o mundo, ele salva uma princesa de outro planeta de um vilão interplanetário.

A segunda HQ é uma adaptação da fábula da Branca de Neve. A princesa é acolhida na floresta pelos sete anões depois de quase ser assassinada por ordem de sua madrasta.

Como no original, a jovem sofre com as investidas da madrasta má até ser salva por um príncipe

Positivo/Negativo

Se a saudade das histórias dos Trapalhões, publicadas pela Bloch nas décadas de 1970 e 1980, o fez procurar a revista Didi & Lili – Geração Mangá, lançada em 2010, não espere o mesmo resultado das antigas edições do quarteto.

As novas aventuras de Renato Aragão, novamente na pele do seu personagem Didi, não lembram em nada as das décadas anteriores.

Na sua décima edição, a revista apostou no sucesso do filme Lanterna Verde e seguiu o mesmo rastro de outras adaptações e homenagens ao herói da DC Comics. Na segunda aventura da edição, em preto e branco, a filha de Aragão, a menina Lili, interpreta uma Branca de Neve vampiresca.

É verdade que comparar esta revista com as antigas edições não é correto, pois a proposta hoje, claramente, é outra. Mas é impossível não tentar imaginar a voz de Renato Aragão ao ler os diálogos e as piadas desse novo Didi Mocó, e é neste momento que a publicação peca.

A opção pelo mangá tem como objetivo atrair as crianças e novos leitores, mas se por um lado pode cativar os mais jovens, por outro afasta possíveis leitores apaixonados pelo trapalhão e suas antigas histórias.

Tecnicamente, a edição tem vários erros de texto que o revisor e o editor deixaram passar. O primeiro logo na capa, que aponta o Lamparina Verde como “o super heróis da hora”. Ou seja, mancada de concordância e falta do hífen em uma frase de cinco palavras.

Outro erro, dentro da mesma aventura, compromete o roteirista (em tempo: a
HQ, erroneamente, foi creditada a Jeferson e Gian Danton, mas foi escrita
por Franco de Rosa): ao encontrar o emanador de energia que dá poderes ao
Lamparina Verde, o personagem cita cinco times de futebol. Todos teriam,
segundo ele, a cor verde. Então, Didi cita Palmeiras, Guarani, Goiás, Coritiba
e… Chelsea.

O problema é que o Chelsea não tem o uniforme verde, mas azul. A citação futebolística fora do contexto. Além disso, a popularidade da Champions League e os álbuns de figurinhas fazem qualquer criança minimamente informada perceber o erro.

Mais derrapada aconteceu nos créditos da segunda história. Na última página, o título foi trocado – deixaram o nome de uma aventura do número anterior da revista. Para finalizar, a edição também não tem numeração.

A história que abre a edição, baseada no Lanterna Verde, traz uma sátira ou homenagem ao personagem. Impossível não se lembrar das velhas aventuras da Bloch ao ver Didi vestido de Lamparina Verde, mas, mesmo para os novos leitores, que só conhecem a Turma do Didi, é difícil encontrar ali o mesmo personagem da televisão.

As tiradas e piadas do “novo” Didi, que parece o irmão mais velho da Lili, soam como a interpretação de um ator que se esforça para encarnar Renato Aragão. É comum ler frases e tiradas que o velho trapalhão jamais diria.

Como a história é colorida, o cuidado com a arte é maior, e isso fica claro nos traços do personagem e nos cenários. O mangá acaba se misturando ao estilo ocidental em alguns quadros, mas nada que comprometa o desenho.

O maior problema fica mesmo por conta dos fracos diálogos e do roteiro que não se sustenta, se perde e acaba confuso demais.

Entre uma trama e outra, uma historieta de duas páginas sem diálogos que deveria ser simples, mas se mostra confusa e sem nexo.

A segunda trama, a da Branca de Neve, mostra-se mais próxima ao estilo mangá, mas peca no acabamento e na arte-final. Só que o principal problema, de novo, é o roteiro, ainda mais confuso.

A história de Lili das Neves segue fiel à fábula original até o encontro com os sete anões. No entanto, não há cuidado algum na caracterização dos pequenos coadjuvantes, que se parecem com duendes e são como figuras clonadas por computador.

E o final da trama, em que Lili das Neves se transforma numa vampira (que também está na moda), é perseguida por um anão com um crucifixo e até morde o príncipe, que a seu sangue azul, é ainda mais deprimente.

Se Didi & Lili – Geração Mangá é uma tentativa de manter a popularidade do trapalhão entre as crianças, é melhor chamar o Dedé para dar uma força.

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.