Duas luas

Por Milena Azevedo
Data: 22 dezembro, 2014

Duas luasEditora: Giz Editorial – Edição especial

Autores: André Diniz (roteiro) e Pablo Mayer (arte).

Preço: R$ 29,90

Número de páginas: 136

Data de lançamento: Agosto de 2014

Sinopse

Nilo, proprietário do Bar do Lourenço, quer vender o estabelecimento comercial que herdou do seu falecido pai para se dedicar a sua amada e à filha que está para nascer. Enquanto isso não acontece, ele enfrenta questões morais e de identidade, além de uma incômoda insônia, que lhe fará perder o sentido da realidade.

Positivo/Negativo

Nos últimos anos, André Diniz produziu ótimos quadrinhos sobre lendas brasileiras e africanas. Então, resolveu inovar e criou uma antitrama junguiana, digna de Fellini, batizada de Duas luas.

A obra foi lançada em 2013, pela editora portuguesa Polvo (que já havia publicado o seu premiado Morro da Favela). Um ano depois, o selo GiBiz, da Giz Editorial, trouxe o álbum ao Brasil, com o diferencial de o miolo ser todo em tons de azul e preto, ampliando o elemento onírico da trama.

Repleta de simbolismos, que o próprio Diniz confessa estar estudando a sério, Duas luas narra a história de Nilo, um rapaz que deseja mudar radicalmente de vida, mas que, ao mesmo tempo, tem medo de encarar essa mudança, postergando por um ano seus planos de ir morar em Araruama com sua namorada Natali.

Nesse meio tempo, eles acabam brigando porque ele rejeita a criança que ela está esperando.

Vivendo resquícios da vida que seu pai queria que ele levasse (idealizando-o como um modelo de virtude e honradez, em decorrência da consciência pesada pela vergonha de ter sido preso no final da adolescência), Nilo segue tomando conta dos negócios da família e vai tocando a contragosto o Bar do Lourenço, ponto de encontro de velhos bebuns e de uma ex-prostituta do bairro.

Quando finalmente toma coragem para vender o bar, estranhos acontecimentos começam a ocorrer, fazendo com que ele não consiga dormir por dias a fio. Porém, a insônia o leva a ter sonhos “acordado”, e ele (assim como o leitor) acaba não conseguindo distinguir a realidade da fantasia – referência às “duas luas” do título.

A “zebrinha do Fantástico” é uma recorrência em seus sonhos. Indicando sempre “coluna do meio”, ela mostra a Nilo que já é hora de sair “de cima do muro”, para que os “fantasmas” das duas luas sejam exorcizados.

Ao conhecer o passado e enxergar seu pai como um ser humano, com seus erros e defeitos, o protagonista enfim poderá amadurecer, aceitando sua filha e as novas responsabilidades que terá.

A primeira grande parceria entre Diniz e Pablo Mayer (eles só haviam trabalhado juntos na edição lusa de Morro da Favela, na qual há ilustrações especiais feitas pelo desenhista brasileiro que mora em Dublin, na Irlanda) foi mais do que acertada, pois seu traço permite facilmente que o leitor embarque nos sonhos junto com Nilo, acompanhando o bom humor e os pontuais pontos de virada do roteiro.

Classificação

4,0

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