Dylan Dog # 1 – Record

Por André Bozzetto Junior
Data: 27 outubro, 2017

Dylan Dog # 1Editora: Record – Revista mensal

Autores: Tiziano Sclavi (texto) e Angelo Stano (desenhos).

Preço: Cr$ 490,00 (preço da época)

Número de páginas: 96

Data de Lançamento: Agosto de 1991

Sinopse: Após ver seu marido se transformar em zumbi e, posteriormente, mandá-lo de volta ao mundo dos mortos cravando-lhe uma tesoura na cabeça, Sybil Browning decide contratar Dylan Dog, para que o “Investigador do Pesadelo” a ajude a descobrir o que, de fato, aconteceu com o seu cônjuge.

Positivo/Negativo

Publicada originalmente na Itália em outubro de 1986 com o título L’Alba dei Morti Viventi, a aventura de estreia de Dylan Dog, aqui rebatizada O despertar dos mortos-vivos, já apresentava a maioria das características que o seu autor, Tiziano Sclavi, delineou para o personagem e que vieram a se tornar marcas registradas com o passar do tempo.

Assim, a história é carregada de mistério, com ritmo envolvente, cenas de violência e um final surpreendente, marcado por uma reviravolta ou, pelo menos, uma conclusão pouco convencional.

Também chama atenção a presença de Groucho, o assistente metido a comediante de Dylan Dog, que não para de destilar piadas de gosto altamente duvidoso, mas mostra habilidade com o revólver, nos momentos em que a ação se faz necessária.

Outro personagem que aparece rapidamente e depois se tornaria é o Inspetor Bloch, encarregado de investigar a morte de John Browning. Com seu ar cansado, ele deixa transparecer as marcas de um policial veterano que já viu muitos horrores pelas noites de Londres.

Mas o maior destaque é mesmo o Doutor Xabarás, que se tornaria um dos principais antagonistas de Dylan Dog, e aqui já apresenta sua faceta intrigante, misturando elementos sobrenaturais atrelados ao seu passado, com outros de viés científico, vinculados às bizarras pesquisas que conduz.

Um dos fatores que mais cativa nesta aventura é paralelo com o cinema de horror. Não só por Dylan assistir e citar clássicos do gênero, mas também pela maneira com que a trama se desenvolve. Na sequência em que o investigar e seus companheiros são encurralados pelos zumbis em um vilarejo decadente e abandonado, é quase possível imaginar aquilo filmado. É realmente memorável.

Os desenhos de Stano, a princípio, podem causar estranhamento, principalmente pelo uso destacado de sombras, que chegam a marcar o rosto dos personagens, e pelo aspecto meio “sujo” de alguns quadros. Mas isso é proposital, para conferir – com eficiência – a atmosfera lúgubre e opressiva que a trama demanda.

Esta aventura apresentou Dylan Dog ao leitor brasileiro e iniciou sua conturbada trajetória por aqui. Depois de 11 edições na Record, ele teria uma curta passagem pela Conrad (seis números) e encontraria sua casa mais duradoura na Mythos, com 40 edições. Depois de 11 anos longe do nosso mercado, o personagem retornou em 2017, pela Lorentz, que, até o momento, publicou duas revistas.

O despertar dos mortos-vivos foi, sem dúvida, um ótimo cartão de visitas de Dylan Dog, um esquisitão de primeira, irônico, mulherengo e enigmático, mas também hábil como poucos para lidar com o limiar entre a realidade e o pesadelo.

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

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  • Dimas Mützenberg

    Aventura muito massa. A arte é espetacular.

  • kriminal diabolik

    Tenho que reler essa HQ do Dylan, estou acompanhando as lançadas este ano e com ansiedade espero a 3 com a história “mater morbi” premiada nos EUA ano passado.

  • Leonardo Campos

    A arte é perturbadora! O olhar do Xabaras chega a dar medo! 😁 Excelente HQ.

  • Gustavo Campello

    Coloquei como meta ler todo o Dylan Dog em ordem cronológica…. começei a ler o 1 mês passado e estou no número 16 (Já li o Especial 1 também)… é uma das melhores histórias em quadrinhos do gênero… e tem toda uma ligação muito bem elaborada.

    E de quebra treino meu italiano.

  • Alderico Leão

    Excelente história! Já li várias vezes. E os desenhos do Stano me ganharam desde a primeira espiada. Essa é uma coleção que gostaria de ter, mas as vacas estavam bem magras e eu tinha outras prioridades durante as últimas publicações. Também estou comprando as edições da Lorentz e na expectativa de que dessa vez engrene.