Dylan Dog # 3

Por Fernando Viti
Data: 18 fevereiro, 2011

Dylan Dog # 3Editora: Conrad – Série em seis edições

Autores: Tiziano Sclavi (roteiro) e Giampiero Casertano (desenhos).

Preço: R$ 5,90

Número de páginas: 96

Data de lançamento: Março de 2002

Sinopse

Memórias do invisível – Dylan Dog é contratado pelas prostitutas de Londres para protegê-las de um misterioso assassino serial.

Como se isso não fosse problema suficiente, pelas ruas da cidade vaga um homem invisível imbuído de um estranho espírito de justiça.

Positivo/Negativo

Esta é uma aventura perfeita para tentar explicar o sucesso italiano e o fracasso brasileiro vendas de Dylan Dog.

A premissa desta HQ parece uma receita de sucesso certo: na misteriosa e chuvosa Londres dofog e das histórias de mistério, vive um detetive especializado em casos que envolvem o sobrenatural.

Dê ainda a este personagem os traços de um galã de cinema (no caso, Ruppert Everett), e, como companheiro de aventuras, um ator pirado que se veste e fala como Groucho Marx.

Como se não bastassem estes ingredientes, nosso herói, cafajeste como poucos no reino das HQs, vire e mexe, envolve-se com belas personagens que batem à porta do assim chamado investigador do pesadelo.

Em suma, um fumetti de terror, mistério, humor e certo erotismo.

E por que, então, é um grande sucesso na Itália, e aqui fracassou em três editoras brasileiras?

Uma resposta possível diz respeito a uma das grandes qualidades desta produção da Sergio Bonelli Editore: os roteiros.

Em Dylan Dog, não é pequeno o número de citações à literatura, ao cinema e à história da arte. O caráter cult adquirido por esta HQ perde pelo menos metade da graça quando o leitor não constata a ironia dos diálogos e situações.

Isso revela, por assim dizer, o clima mais europeu das aventuras do herói, ou seja, prevalece a intriga, a criatividade dos enredos, no lugar da pancadaria que rola solta em gibis norte-americanos e do Oriente.

Como prova do privilégio dado ao conteúdo sobre a forma, pode-se facilmente constatar a ausência de liberdade formal para as artes da série. Não há, no universo das publicações Bonelli, desenhos que extrapolem os limites restritos dos quadrinhos.

Em face dessas características, é comum ouvir leitores ocasionais dizerem: “A história parece interessante… mas… cara, é muito texto!”.

Azar de quem prefere os desenhos a uma bela história, mas, possivelmente, esta edição está entre as melhores de Dylan Dog. Este número 3 da subestimada coleção da Conrad (nos moldes da que saiu nos Estados Unidos, pela Dark Horse), que conta com belas capas de Mike Mignola, o “pai” do Hellboy, prima pela exploração da “angústia existencial” de um personagem que tem como característica mais marcante a insignificância.

Na Londres de Dylan Dog, a noite prevalece sobre o dia, a chuva é quase ininterrupta e nada é o que parecer ser. Neste cenário de horror, um Zé-Ninguém é testemunha ocular do assassinato de uma prostituta, uma mulher que “ousou” dirigir-lhe um sorriso.

A emoção causada pela visão da amada secreta morta leva o nosso “herói sem qualidades” à morte… Fim da história,certo?

Não! Morto, o Zé-Ninguém torna-se uma espécie de justiceiro incorpóreo das profissionais do sexo de Londres. E aí é que o bicho pega… É feia a coisa. Mas com desenhos belíssimos.

Violência gratuita? Apelação? Não mesmo. Um dos aspectos que ajudam ainda a explicar o sucesso italiano de Dylan Dog é a adaptação da estética slasher films para os quadrinhos.

Na Itália, uma referência deste gênero cinematográfico, os filme de horror, é o diretor Dario Argento, o mestre do suspense, que constrói enredos que tornam a violência a extensão material das contradições que movem seus personagens, que, não raramente, são párias da sociedade moderna.

E por falar em párias, em Memórias do Invisível, o leitor é apresentado a uma das personagens femininas que se destacam na galeria de Dylan Dog: a prostituta Bree Daniels.

Classificação

5,0

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