EDIÇÃO EXTRA – MORCEGO VERMELHO

Por Marcelo Naranjo
Data: 10 outubro, 2009


Autores: Vários.

Preço: Cr$ 2,50 (preço da época)

Número de páginas: 96

Data de lançamento: 1973

Sinopse: Diversas histórias com a origem do Morcego Vermelho e seus primeiros desafios.

Positivo/Negativo: Eis que surge um dos grandes super-heróis da Disney de todos os tempos. Afinal, nada mais natural num país sempre tão afinado com o humor, que o atrapalhado Morcego Vermelho ter sido criado por aqui.

Com a intensa produção de histórias Disney produzidas no Brasil, na década de 1970, surgiu das mãos de Ivan Saidenberg (roteiro) e Carlos Edgard Herrero (arte) o amalucado Morcego Vermelho. A ideia foi do então editor Cláudio de Souza, como consta no livro O Homem-Abril (de Gonçalo Junior, Opera Graphica), que, ao ver uma ilustração do Peninha com a roupa de Batman, pediu um roteiro a Saidenberg – Cláudio conta que todos os méritos da criação são do roteirista.

Sua origem está na primeira aventura da edição: Donald e Peninha, repórteres de A Patada, são demitidos (pra variar) pelo Tio Patinhas. Em busca de notícias para serem recontratados, entram numa festa à fantasia de convidados milionários, Peninha com roupa de Morcego e Donald, de Gorila.

No entanto, os Metralhas estavam no local, também fantasiados de Gorilas. No assalto, Donald é levado junto por engano. Com a confusão formada, só resta ao Peninha fazer ainda mais trapalhadas e, sem querer, capturar os vilões.

Nas demais aventuras, ele acaba prendendo, quase sempre da mesma maneira (ou seja, sem querer), o Professor Gavião (derrotado graças à providencial ajuda do Lampadinha), Mancha Negra e a dupla Cara-de-babá e Cara-de-bebê.

O pior desafio é a Maga Patalójika, que faz um feitiço transformando o herói num “cara malvado”, quando o Morcego chega ao cúmulo de roubar bengalas de velhinhos, sorvetes de crianças e afins.

Além disso, algumas tramas de uma página apresentam os “sensacionais” apetrechos para combater o crime. Entre os principais itens, bolados pelo Professor Pardal, estão molas no sapato para pular (mas ele nunca consegue controlar os saltos); uma corda com “asinhas” que fica parada no ar; um pula-pula e a espetacular luva de boxe com molas, que sai de seu cinto para socar os oponentes.

O verdadeiro achado fica por conta do esconderijo do Morcego Vermelho: uma lata de lixo nada discreta, com um logotipo de morcego com a palavra “lixo”. Como seria de se esperar, frequentemente, ele é jogado pelo pessoal da limpeza no caminhão.

Por essas e outras, essa sátira é também uma homenagem aos super-heróis, em especial ao Batman, em vista dos apetrechos e fantasia, e também ao Superman. Afinal, uma hippie, Glória, se apaixona pelo Morcego Vermelho, e quem está apaixonado por ela é o repórter Peninha, veja só.

Em suma: um defensor da lei que consegue ser tão, mas tão atrapalhado, que todos os malfeitores passam a tremer de medo dele. O defensor de Gotham City ficaria com inveja. E os leitores de ontem, hoje e sempre, com orgulho: uma divertida criação brasileira no rol dos grandes super-heróis das Disney.

 

Classificação:

4,0

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