Elektra – Assassina

Por Roger Rodrigues
Data: 21 dezembro, 2005

Elektra - AssassinaEditora: Panini Comics – Edição especial

Autores: Frank Miller (roteiro) e Bill Sienkiewicz (arte).

Preço: R$ 28,50

Número de páginas: 264

Data de lançamento: Março de 2005

Sinopse

A Besta (líder supremo do Tentáculo) domina o corpo do candidato à presidência dos Estados Unidos, e a única pessoa que pode impedi-la é Elektra Natchios.

Positivo/Negativo

Antes de ler Elektra – Assassina, é preciso tomar alguns cuidados. O primeiro é sentar-se em algum lugar confortabilíssimo, e proibir qualquer ser vivo nas proximidades de incomodá-lo. Depois, conseguir um aparelho de som e algum disco do bom e velho rock’n’roll.

E isso não é exagero. Elektra é uma personagem criada por Frank Miller durante sua fase na revista do Demolidor. Na ocasião da publicação desta minissérie (publicada originalmente pelaAbril), ela estava morta. Portanto, Miller resolveu contar uma história do seu passado, e defini-la de uma vez por todas. É importante entender que esta é uma obra conceitual.

Em um enredo comum, o foco costuma ser um acontecimento. Aqui, o foco é Elektra Natchios. Partindo desse princípio, os autores tiveram a liberdade de criar uma obra surrealista e o que é mostrado ao leitor nem sempre está acontecendo. A arte traduz tudo isso de maneira incrível.

Destaque para a página 37, na qual acontece uma cena em que a personagem (que estava sob efeito de um alucinógeno) recupera a consciência. Para retratar isso, o quadro em questão foi recortado em pedaços que parecem amarrados por linhas, cada vez mais juntos.

É um desafio encontrar todas as inovações contidas nesta obra. Frank Miller e Bill Sienkiewicz (um dos nomes mais impronunciáveis da indústria, mas de um talento incrível) tiveram liberdade para criar uma história autoral. Para dar vida às páginas, o desenhista utilizou pintura, passou por desenhos a lápis, fotocópias, grampos e até – pasme – guardanapos!

Tudo isso já seria bastante para construir um clássico no aspecto visual, mas ainda é necessário citar o enredo. Além de criativo, é ácido a ponto de criticar as instituições norte-americanas e reduzi-las a uma gigantesca piada. Apesar de escrita em 1986, alguns dos temas retratados são válidos até hoje, como o presidente (então Ronald Reagan) megalomaníaco.

A S.H.I.E.L.D. (uma agência de espionagem que atua no universo Marvel) , costuma representar a supremacia dos Estados Unidos, mas Miller destrói esta imagem. Corrupção, incompetência, desprezo pelas regras, tudo faz parte da organização no mundo criado pelo autor.

Os agentes Garret e Perry, são criminosos sem o menor senso de justiça, cometem erros absurdos e sempre são levados ao ridículo. Até mesmo o Coronel Nick Fury dá suas mancadas!

Garrett ganha importância no decorrer da trama e funciona como um oposto de Elektra. Apesar disso, o relacionamento dos dois é como uma dança sensual, ora se odiando, ora se amando. Pode parecer estranho, mas se encaixa perfeitamente no enredo.

Panini realizou um ótimo trabalho editorial, lançando este volume encadernado. Faltaram apenas alguns extras, como as entrevistas publicadas pela Abril anteriormente. Isso, sem dúvida, enriqueceria a obra.

Portanto, tomados os cuidados citados no início da resenha, desfrute do prazer que é curtir esta obra-prima. Depois, guarde-a para seus filhos e netos, pois deveria ser obrigação de todo leitor de quadrinhos conhecer este clássico da nona arte.

Classificação

5,0

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  • Belo review. Me deu vontade de ir buscar essa HQ no meu baú de tesouros e reservar uma noite para ler tudo de novo :)

  • marcello rego

    é estilo de gibi que não agrada tanto , pelo menos no Brasil