ENTREQUADROS – CÍRCULO COMPLETO

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2011

ENTREQUADROS - CÍRCULO COMPLETO

Editora: Balão Editorial – Edição especial

Autor: Mário César (texto e arte).

Preço: R$ 25,00

Número de páginas: 88

Data de lançamento: Outubro de 2011

 

Sinopse

“Deveria ter um botão de reset aqui dentro.” E se não fosse possível esquecer um grande relacionamento? E se a memória desse amor interrompido impedisse você de seguir adiante? É a partir dessas questões que se faz a narrativa em quadrinhos EntreQuadros – Círculo Completo, nova graphic novel do quadrinhista Mário César.

A trama é centrada no psicanalista Freuderico, que depara com essas questões após ficar fisicamente distante de sua amada Martha. Então, surge em sua vida Karina, que pode ser a terapia de que ele precisa.

Positivo/Negativo

Este é o melhor trabalho de Mário César até o momento.

Quem acompanha as publicações do autor nota facilmente o quanto sua arte tem evoluído. Mário entende bem os conceitos fundamentais do desenho e, a cada HQ, caminha na direção de encontrar um estilo próprio.

A estética dele, com uma arte-final bem orgânica, feita com um pincel marcado, e a pintura monocromática – nesta edição em tons de verde – funciona bem para a história que ele se propõe a contar.

Outro ponto alto na arte é o uso de boas referências para figurantes e, principalmente, para os cenários. Para quem conhece a cidade de São Paulo, a HQ se torna um belo passeio por vários pontos interessantes da capital.

Para quem não conhece, ou não pegou todas as referências, no final do álbum há um guia detalhando locais, personagens e músicas citadas.

Sobre a trama, vale dizer que a linha geral é bem batida. Depois de milhares de filmes, músicas e livros, as histórias de amor dificilmente são surpreendentes. Fica ainda mais complicado fazer algo muito diferente quando o autor a estrutura de forma a ter uma grande simetria nos eventos.

Contudo, EntreQuadros entrega o máximo que se pode esperar de uma história de amor nos dias atuais: conceitos bem interessantes. A ideia do botão reset, a cena do sonho – sem dúvida, a mais bonita da HQ – e a participação cômica da Morte são diferenciais que fazem a leitura valer a pena.

Aliás, sobre a participação da Morte como coadjuvante, um lembrete: ela é uma personagem recorrente no trabalho de Mário César e, apesar de aparecer num momento surreal, funciona como alívio cômico para a trama, que, em vários momentos, é bem pesada.

Fica, inclusive, a sugestão para o autor continuar a história da Morte em uma edição digital, nos moldes do “extra” que fez para EntreQuadros – A walk on the wild side.

Cabem, claro, algumas ressalvas à edição. A primeira é sobre a escolha das fontes do texto e a opção por balões inseridos digitalmente. Como a arte de Mário César é bem marcada pelo visual “feito à mão”, quando o pincel escapa aqui e ali ou um pedaço de linha sobra na marcação dos quadrinhos, esses “defeitos” passam a fazer parte do visual da HQ. Ao inserir sobre isso elementos gráficos com jeitão “mecânicos”, eles acabam se destacando mais do que deveriam.

A outra questão é que os diálogos, em alguns momentos, soam um pouco “duros”, como se os personagens estivessem lendo um texto planejado, e não tendo uma conversa real.

São meros detalhes para o autor pensar para seus próximos trabalhos e continuar evoluindo. No geral, esta EntreQuadros é uma HQ bonita, divertida e que entrega o que promete.

Classificação:

4,0

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