ESTRANHOS NO PARAÍSO – TEMPOS DE COLÉGIO

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2007


Título: ESTRANHOS NO PARAÍSO – TEMPOS DE COLÉGIO (HQM
Editora
) – Edição especial

Autor: Terry Moore (roteiro e arte).

Preço: R$ 24,90

Número de páginas: 88

Data de lançamento: Setembro de 2007

Sinopse: Tempos de Colégio, o sexto volume da série, mostra como Katchoo e Francine se conheceram no segundo grau e os conturbados acontecimentos em suas vidas.

É uma história sobre a inquietude dos sentimentos e a desolação diante de um mundo que parece não ser o seu. Sobre relações familiares desestruturadas, seja em tons de preto-e-branco ou sob um fino véu cor-de-rosa. E é sobre perda. Mas principalmente, como é a tônica de toda a série, sobre encontrar o abrigo e o amor que nos fazem continuar.

Ainda, retornando ao presente das garotas veja uma história em que, após bater a cabeça, Katchoo se imagina num mundo no qual Francine é Xena, a Princesa Guerreira, e ela sua fiel ajudante.

Positivo/Negativo: Depois da edição passada de Estranhos no Paraíso, na qual aparentemente se resolve a trama policial que marcava a série desde Sonho com Você, fica aquela dúvida do que poderia vir a seguir.

Foi uma boa escolha do autor fazer uma pausa e contar a origem das personagens e como elas se conheceram no colégio. A idéia inicial de que a série não seria a mesma coisa sem a presença de David, que só entra na vida das garotas bem mais tarde, desaparece logo nas primeiras páginas.

Terry Moore leva o leitor para a vida turbulenta de Katchoo e insere uma nova e forte discussão sobre uma garota que vive com uma mãe negligente a ponto de fechar os olhos para o fato de o padrasto violentá-la.

Tudo em Katchoo é encantador e cativante. Desde sua vida que faz o leitor sentir pena dela, até a forma como encontra em Francine algo especial, uma amiga que não a julga e a trata diferente de todo mundo. Alguém que apenas se importa com ela.

O grande problema da edição é que Katchoo tem uma história tão forte, que a vida de Francine e seus problemas parecem algo trivial e quase irritante.

Outro ponto fraco é que este álbum mostra certa fragilidade no desenho de Moore. Ao mesmo tempo em que consegue fazer lindos painéis remetendo à arte de Alphonse Mucha, seu traço para o decorrer da série é sempre muito igual. Por exemplo, quase não se nota diferenças entre a Katchoo e Francine adolescentes e adultas. Elas acabam parecendo com aquelas atrizes de 25 anos que interpretam colegiais em filmes norte-americanos.

Mas a falha mais grave deste encadernado é a composição do mix, que segue a versão original. Primeiro vem uma linda e intensa história sobre os sofrimentos de duas adolescentes e depois de um final fantástico, com uma cena e um diálogo emocionantes. E logo em seguida, há uma sátira de Xena. Não que a HQ seja ruim. Ela é bem engraçada, mas quebra o clima.

É algo estranho, talvez até absurdo, mas falta uma nota do editor original dizendo, após o final da primeira história, algo do tipo: “Pare, pense no que leu e amanhã volte para relaxar com uma sátira de Xena“.

Sobre a edição nacional, o texto está bem melhor do que o da edição anterior, mas ainda não acertaram a mão na tradução de poemas. Neste volume há um belíssimo declamado por Katchoo, em que a editora caiu no clichê de usar um vocabulário e um estilo extremamente formal.

Na versão original (disponível aqui), nota-se claramente que é um texto contemporâneo, com uma fala mais livre e um vocabulário bem comum.

Classificação:

4,0

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