EX MACHINA – ESTADO DE EMERGÊNCIA

Por Zé Oliboni
Data: 1 dezembro, 2005


Título: EX MACHINA – ESTADO DE EMERGÊNCIA (Panini
Comics
) – Edição especial
Autores: Brian K. Vaughan (roteiro) e Tony Harris (desenhos).

Preço: R$ 19,90

Número de páginas: 144

Data de lançamento: Outubro de 2005

Sinopse: Mitchell Hundred era um engenheiro civil como tantos outros até que um evento muito estranho lhe conferiu poderes especiais e ele se tornou o primeiro super-herói do mundo.

No entanto, cansado de aventuras que não mudavam nada, Mitchell decide que é hora de fazer alguma coisa mais significativa pelo mundo – algo que jamais conseguiu sendo o herói conhecido com A Grande Máquina. Assim, decide concorrer à prefeitura de Nova York e consegue uma vitória esmagadora.

Positivo/Negativo: Longe de dizer que Brian K. Vaughan não mereceu os prêmios que ganhou por esta publicação, pois com certeza Ex Machina é uma série diferente, se comparada com maioria das coisas que vêm sendo publicadas. O problema é que, apesar de entregar tudo que promete, drama, ficção e política, falta um pouco de profundidade.

Mitchell Hundred, Kremlin e Bradbury são personagens quase pueris. Um grupo de crianças em um jogo de adultos. Mitchell é o líder relutante, sente que falhou como herói e tenta utilizar sua fama para fazer um bem maior, mas revela suas fraquezas quando se nega a pronunciar palavras polêmicas, como as começadas com C (Crioulo) ou T (Terrorismo).

Bradbury é o brutamontes que fala o que pensa, apesar de não pensar muito. Kremlin é o velho sonhador que fica tentando resgatar sua carreira heróica como auxiliar d’A Grande Máquina.

O que torna essa série diferente são as situações em que esses personagens são colocados. A crise política gerada por um quadro polêmico, o assassinato de motoristas de tratores de neve, as discussões internas do gabinete do prefeito, os controversos salvamentos de Mitchell quando ainda era um herói, entre outras coisas. O que faltou nesse arco foi ação, talvez se as aventuras d’A Grande Máquina fossem mais exploradas, a revista ganharia um pouco mais de agilidade.

Outro mérito de Vaughan foi a trama do assassino de motoristas de tratores de neve, que apontava toda a culpa para o velho Kremlin e depois revela que o criminoso era um adolescente tentando ficar famoso entre os seus colegas.

No geral, a revista tem um óbvio saldo positivo, auxiliado, inclusive, pela arte. O traço sutil de Tony Harris e as cores claras de JD Mettler ajudaram o clima realístico da história. Combinando bem com a idéia de um sujeito um tanto infantil perdido no mundo da política.

A edição nacional merece um elogio pela publicação de um glossário, pois Vaughan abusa das citações, siglas, referências que são ligadas ao cotidiano dos americanos e não da maioria dos leitores brasileiros.

De negativo, dois erros de português. O primeiro, feio, está na décima página (a revista não tem as páginas numeradas) do quarto capítulo: “…e ‘trás’ o sujeito pra perto…”. O correto seria “traz”, do verbo trazer. O outro está no glossário, no verbete sobre a Marcha de Sherman: “…de minar a moral…”. Nesse caso, é “o” moral.

 

Classificação:

4,0

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