EX MACHINA – VOLUME 8 – TRUQUES SUJOS

Por Liber Paz
Data: 1 dezembro, 2012

EX MACHINA - VOLUME 8 - TRUQUES SUJOS

Editora: Panini Comics – Edição especial

Autor: Brian K. Vaughan (roteiro), Tony Harris e John Paul Leon (arte), Jim Clark (arte-final), J.D. Mettler (cores) – Originalmente em Ex Machina # 36 a # 39 e Ex Machina Masquerade Special.

Preço: R$ 17,50

Número de páginas: 136

Data de lançamento: Junho de 2012

 

Sinopse

Truques sujos – A convenção republicana em Nova York corre o risco de ser cancelada quando uma fã obcecada pela Grande Máquina decide chamar a atenção de seu ídolo por meio de atitudes bem controversas.

Baile de máscaras – Mitchell Hundred precisa encontrar uma saída politicamente correta para lidar com uma manifestação pública da Ku Klux Klan.

Positivo/Negativo

Super-heróis são um gênero consagrado nos quadrinhos e permitem uma série de abordagens e reflexões.

Pode-se considerar o escapismo do leitor, a fantasia de poder, a sedução da desobediência civil, a imposição de justiça por meios ilegais, a definição de justiça… E dentre essas possibilidades de abordagem, não se pode descartar a sexualização.

A fantasia de super-herói como fetiche sexual já foi explorada numerosas vezes. Pode-se citar o caso de Coruja e Silk Spectre em Watchmen como um dos exemplos mais ilustrativos. Vestir um “uniforme”, usar uma máscara e exercer algum tipo de poder era o que excitava sexualmente o personagem Daniel Dreiberg na obra de Alan Moore e Dave Gibbons.

O aspecto de fetiche sexual da figura do super-herói é um dos temas trabalhados por Brian K. Vaughan em Truques sujos.

Ao ser salva pela Grande Máquina, a guia turística Mônica desenvolve uma verdadeira obsessão pelo herói. Trata-se de puro desejo, que a faz acompanhar a trajetória do vigilante e até ajudá-lo em uma situação difícil.

Por tudo isso, Mônica frustra-se profundamente quando Mitchell Hundred revela-se publicamente e desiste definitivamente de ser a Grande Máquina para concorrer à prefeitura de Nova York.

A obsessão, contudo, não passa e, anos depois, Mônica decide chamar a atenção de seu ídolo também se fantasiando.

Como sempre em Ex Machina, o universo dos super-heróis se tangencia com a esfera política. Os atos de Mônica, agora sob o pseudônimo de Problema, são de protesto e vandalismo contra a realização da convenção do partido republicano em Nova York.

Nesse ponto, Mitchell Hundred encontra outros conflitos. Além de lidar com os problemas causados por Mônica, ele precisa encontrar uma maneira de sediar a convenção republicana sem comprometer sua posição de neutralidade como candidato independente.

Ao mesmo tempo, January e Kremlin finalmente conseguem acesso a uma pasta de documentos que pode causar o fim da carreira política de Hundred. Tal pasta já havia sido vista antes, no primeiro episódio da série, presente no volume Estado de emergência.

Há diversas menções e paralelos com temas e personagens que apareceram anteriormente. Com isso, Vaughan constrói sua longa história do prefeito super-herói, coordenando com mestria elementos de ficção fantástica, aventura e política. Trata-se de uma obra coerente, original e muito bem pensada.

Além de Truques sujos, o volume apresenta uma história fechada chamada Baile de máscaras. Nela, o dilema de Hundred é como lidar com uma manifestação pública da Ku Klux Klan.

Os membros do Klan pretendem aparecer usando suas tradicionais máscaras. Se tentar proibi-los, Hundred pode chamar mais atenção para a causa, principalmente por causa de seu passado como vigilante mascarado.

Mais uma vez, super-heróis e política se entremeiam, agora colocando a questão da máscara e do preconceito versus a liberdade de expressão. Em paralelo a essa trama, Vaughan também conta um antigo episódio da vida de Hundred, ocorrido logo após o acidente que lhe deu os poderes.

Um dos grandes trunfos de Baile de máscaras é a belíssima arte de John Paul Leon. Enquanto o desenhista titular, Tony Harrys, tem um desenho com linhas bem definidas e limpas, Leon usa e abusa da expressividade do pincel, criando um clima que o distingue imediatamente das histórias regulares da série.

É o trabalho de Leon que faz Baile de máscaras destacar-se como uma história realmente especial.

Com este volume, faltam apenas dois para encerrar a saga do prefeito Hundred. Que a Panini continue com o bom trabalho e traga novas séries nesse formato que apresenta a melhor relação custo-benefício para o leitor.

 

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.