My faith in Frankie

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 1 novembro, 2013

My faith in FrankieEditora: DC Comics – Edição especial

Autores: Mike Carey (roteiro), Sonny Liew (desenhos), Sonny Liew e Marc Hempel (arte-final).

Preço: US$ 11,99

Número de páginas: 112

Data de lançamento: Novembro de 2004

Sinopse

Frankie Moxon seria a típica adolescente de 17 anos, não fosse um pequeno detalhe: ela tem a companhia e os cuidados de seu próprio deus, o todo-poderoso Jeriven!

A garota sempre tirou boas notas, é linda e tudo vai bem em sua vida. Mas há um problema: Jeriven é um deus ciumento e, por isso, Frankie nunca conseguiu um encontro romântico que durasse mais de 20 segundos. Os pretendentes acabavam com as calças em chamas ou eram vítimas de ataques de coelhos.

Até que surge um simpático garoto que voltou da morte, com a promessa de muita paixão, traições e um plano infernal de vingança.

Positivo/Negativo

My faith in Frankie foi uma divertida minissérie publicada originalmente em 2004, pelo selo Vertigo, da DC Comics, reunida posteriormente em preto e branco e formato pequeno. O roteiro do especialista em horror Mike Carey adotou uma impressionante mudança nos padrões dos gibis adultos por investir numa linguagem jovem e descompromissada, dialogando abertamente com as meninas dispostas a curtir a vida. Ainda assim, tudo é apresentado com talento suficiente para agradar aos mais diversos públicos, dispensando rótulos e transcendendo recomendações de leitura.

O texto aborda temas polêmicos, como sexo e religião, mas sem o propósito de ditar regras de comportamento ou criar polêmica para chamar a atenção. A história do deus apaixonado e ciumento funciona como uma comédia romântica de tons sobrenaturais, com situações engraçadas e muito sentimento. Funciona que é uma beleza, com desdobramentos à altura da premissa inusitada.

A ideia de um deus pessoal cuidando da garota desde o seu nascimento já renderia uma narrativa diferenciada, e a questão do namoro só tende a deixar a coisa toda mais imprevisível.

Os personagens surgem bem construídos, sem profundas introspecções psicológicas, mas bastante coerentes e funcionais. Alienação, fé, paixões arrebatadoras e a sensação de abandono se sucedem sem perder o pique, e vale a pena prestar atenção nos pequenos detalhes da arte de Sonny Liew, bonitinha e sugestiva. Cada edição ficou dividida em capítulos curtos, e há interlúdios desenhados no estilo de tirinhas infantis, como Peanuts e Calvin. Um deleite puro e simples.

O roteiro de Carey surpreende com reviravoltas inesperadas e um plano de vingança saído diretamente do inferno, que altera o tom da narrativa e joga nas alturas o seu senso de urgência. Destaque para a personagem Kay Watson, melhor amiga de Frankie, com uma paixão secreta, que assume papel crucial no desenrolar dos eventos. É na interação de personalidades distintas que o gibi mostra fôlego, e um deus ciumento ganhando vida não deixa espaço para dúvidas. Mike Carey e Sonny Liew acertaram em cheio!

Pode não haver nada errado com os super-heróis que dominam o mercado, em essência, mas é inegável que se deva buscar diversidade de temas e públicos para os gibis. My faith in Frankie não deve figurar em listas de melhores quadrinhos ou alcançar o status de clássico, mas foi um grande avanço da DC por apostar numa ideia maluca, com autores de talento e sem apelação, perfeita para renovar o público e colocar em evidência o potencial da mídia.

Melhor que buscar o próximo grande sucesso em quadrinhos específicos para adultos, crianças ou mulheres, é colocar os melhores artistas para trabalhar em ideias originais, que a boa repercussão vem naturalmente.

Classificação

4,0

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