FANZINE

Por Delfin
Data: 1 dezembro, 2010

FANZINE

Editora: Devir Livraria – Edição especial

Autores: Fábio Moon e Gabriel Bá (texto e arte).

Preço: R$ 33,00

Número de páginas: 216

Data de lançamento: Outubro de 2007

 

Sinopse

Um compêndio com o melhor do início da carreira de Fábio Moon e Gabriel Bá.

Positivo/Negativo

Toda história tem um começo. Apesar de ser um grande clichê, isso continua sendo uma verdade, inclusive para Fábio Moon e Gabriel Bá, dois dos principais expoentes do quadrinho nacional da atualidade.

Aliás, sem qualquer desmerecimento a gerações anteriores, é possível dizer que, com Moon e Bá, o quadrinho autoral feito por brasileiros deu seu passo definitivo junto ao reconhecimento qualitativo de público e crítica, dentro e fora do País.

Fanzine conta essa trajetória. Misto de biografia com coletânea, é um livro que possui o mérito de incluir diversas fases da carreira dos irmãos gêmeos, possibilitando avaliar, observar e explorar eventos de crescimento profissional e artístico em ordem cronológica. Ou o mais cronológica possível.

Outro mérito do álbum é mostrar quanto trabalho é necessário para se chegar aos objetivos almejados. Basta ver os estilos de desenho e roteiro do início de carreira e como eles, rapidamente, evoluem em termos de qualidade.

Tudo porque houve muita quantidade de trabalho envolvida. Não é preciso ser muito perspicaz para perceber que o material contido neste livro é uma seleção, ou seja, muita coisa ficou de fora. Isso, acredite, fora tudo o que Bá e Moon certamente produziram e nunca foi publicado.

Muitos quadrinhistas, hoje, perceberam que investir no próprio trabalho é o melhor caminho. Fanzines surgem às dezenas, todo ano, no Brasil. Vários com qualidade, verdadeiros livros e revistas profissionais. Até mesmo uma cooperativa ou duas de autores independentes foram formadas para que essa massa produtiva trabalhasse em prol de algo maior.

Mas será que esse movimento todo existiria dessa forma se não fosse o êxito e o profissionalismo dos autores do fanzine 10 Pãezinhos?

Deixando esta questão um pouco de lado, é hora de colocar o foco nas criações (por vezes individuais) de Moon e Bá, antes da publicação de suas compilações iniciais pela Devir.

Os loucos, histórias curtas protagonizadas pelos autores, muitas vezes metalinguísticas, dão o tom pessoal que, afinal, permitiu que o leitor se identificasse originalmente com os autores. Principalmente por não se colocarem como seres perfeitos, mas como os humanos cheios de falhas que são – eles e todos os demais.

Guapo é uma pequena série de Moon que toca particularmente quem está acostumado com viagens, idas e vindas. O seu protagonista merecia mais espaço. Quem sabe? Já Nam, mostra Gabriel Bá e sua experiência com tiras. Abusando da simplicidade no traço, consegue um resultado interessante, apesar de ser apenas um palco para ideias a serem testadas, aparentemente.

E as diversas histórias avulsas, verdadeira especialidade da dupla, são realmente muito boas. Pra aproveitar aos poucos, sem gula.

O mais interessante em Fanzine, como não poderia deixar de ser, são os textos além dos quadrinhos. A autocrítica dos autores, confrontada com suas próprias opiniões passadas, expressas pelos editoriais de diversos fanzines anteriores. Uma nova chance de afirmar ou negar uma posição. Que não precisa ser pétrea apenas por ser.

O trabalho editorial da Devir, neste livro que mistura quadrinhos e texto, é bacana. Poderia ser ruim, visto como a linha de prosa da editora possui sérios problemas editoriais – justamente o contrário dos seus quadrinhos, publicados de forma cada vez mais sólida. Mas o resultado final também não é tão bom: com uma diagramação pouco ousada e uma escolha de tipologias sofrível, Fanzine merecia mais cuidado. Além de um papel com uma gramatura um pouco melhor. E orelhas, pois, ao final de algumas leituras, a edição começa a esgarçar.

Álbum menos comentado de Moon e Bá, parece também lógico afirmar que este é um dos que lhes são mais caros. Muitas lições importantes para quem está começando estão lá. Ao mesmo tempo, nenhuma receita, apenas experiência. Que eles fizeram questão de compartilhar com quem quisesse ouvir. Ou melhor, ler.

Quem quiser prestar atenção, só tem a ganhar com isso.

Classificação:

4,0

• Outros artigos escritos por

.

.

.