Farscape – Volume 1 – The Beginning of the end of the Beginning

Por Milena Azevedo
Data: 3 maio, 2013

Farscape - Volume 1 - The Beginning of the end of the BeginningEditora: BOOM! Studios – Edição especial

Autores: Rockne S. O’Bannon (argumento), Keith R.A. DeCandido (roteiro), Tommy Patterson (arte), Michael Babinsky e Marshall Dillon (arte-final) e Andrew Dalhouse e Zac Atkinson (cor) – Publicado originalmente em Farscape – The beginning of the end of the beginning # 1 a # 4.

Preço: US$ 9,99

Número de páginas: 128

Data de lançamento: Agosto de 2010

Sinopse

Continuação da série de TV Farscape, mostrando a empreitada de Rygel para retomar o trono de Hyneria.

Positivo/Negativo

Algumas séries de TV costumam ganhar fãs ardorosos e fiéis, que não aceitam o cancelamento brusco ou mesmo a resolução final das suas tramas.

Por isso, talvez, algumas tenham ganhado continuações, não na TV, mas nos quadrinhos, como: Buffy – A caça-vampiros, Angel, Smallville e Arquivo X.

No entanto, ninguém fez tanto barulho quanto os fãs de Farscape, série australiana exibida pelo canal Syfy entre 1999 e 2003.

Criada por Rockne S. O’Bannon (Alien Nation) e produzida pela parceria entre a Jim Henson Company e a Hallmark Entertainment, Farscape chamava atenção pelos efeitos especiais, maquiagem inovadora, diversidade de culturas alienígenas, além de tramas e personagens bem construídos.

Com um elenco formado por ilustres desconhecidos atores australianos, a trama do astronauta John Crichton – que, ao testar uma teoria, é arrebatado por ondas eletromagnéticas e jogado dentro de um buraco de minhoca (wormhole, no original), indo parar em uma parte distante da galáxia, a bordo de uma nave viva chamada Moya – atraiu a atenção de vários espectadores, muitos deles do sexo feminino.

A série foi cancelada na quarta temporada, com um final estonteantemente aberto, motivando os fãs a pressionar o canal Syfy.

Em busca da conclusão da trama, os fãs criaram a Save Farscape, uma campanha de alcance mundial, mostrando que havia, sim, um bom público para a série.

Save Farscape repercutiu até mesmo na rede de televisão CNN, e seus bastidores podem ser conferidos nos extras da edição especial do blu-ray importado da série.

A pressão surtiu efeito e investidores europeus viabilizaram The Peacekeeper Wars, uma minissérie de três horas de duração, que foi ao ar em 2004, via Syfy.

Os fãs vibraram, mas sabiam que o caldo ainda podia render. Pensando neles, O’Bannon escreveu o argumento para uma nova história, começando justamente do ponto em que a minissérie havia terminado.

Essa história deu início a uma série em quadrinhos, publicada pela BOOM! Studios, de 2008 a 2011, a qual também contou com minisséries especiais, protagonizadas por D’Argo e Scorpius.

O primeiro arco, batizado de Farscape – The beginning of the end of the beginning, trouxe quatro edições que narravam uma aventura centrada no personagem Rygel.

Com o final da guerra entre Peacekeepers e Scarrans, Hyneria ficou livre da presença desses últimos, deixando o caminho livre para Rygel conclamar o trono que lhe fora usurpado por seu primo Bishan, 130 ciclos atrás.

Usando as coordenadas encaminhadas por Mmyna, uma de suas 1437 esposas, Rygel convoca a tripulação de Moya para ajudá-lo na empreitada.

Conspirações e reviravoltas, planos não tão precisos de Crichton e seus diálogos espirituosos com referências à cultura pop, bem como os “bate-bocas” entre Crichton e Aeryn, estão presentes na trama, trazendo boas lembranças da série aos fãs.

No entanto, se as capas assinadas por Joe Corroney são um primor, o mesmo não se pode dizer do trabalho do desenhista Tommy Patterson, que acerta ao retratar os hynerianos, mas demonstra certa irregularidade com os demais personagens, principalmente na terceira parte, em que seu traço está visivelmente preguiçoso; e a arte-final de Marshall Dillon também não ajuda.

Como material extra, o encadernado traz todo o argumento do primeiro arco, escrito por Rockne S. O’Bannon. Isso permite tecer comparações entre as diretrizes de O’Bannon e o roteiro final de DeCandido, que demonstrou bastante familiaridade com a narrativa e os diálogos originais – tanto que foi o autor do romance House of Cards, que se desenrola no universo de Farscape.

Embora tenha seu charme, esta primeira transição para os quadrinhos não conseguiu fazer jus ao seriado da TV, tornando-se uma leitura recomendada apenas para os fãs mais saudosistas e que tenham assistido à minissérie final.

Classificação

3,5

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