FIERRO BRASIL # 2

Por Tiago Pavinato Klein
Data: 1 dezembro, 2012

FIERRO BRASIL # 2

Editora: Zarabatana – Edição especial

Autores: Horácio Altuna, Frank Arbelo, Enrique Breccia, Juan Sasturain, Max Cachimba, Vitor Caffagi, Copi, André Ducci, El Niño Rodriguez, El Tomi, Fayó, Alfredo Flores, Marcelo Birmajer, Juan Giménez, Adão Iturrusgarai, Sérgio Langer, Laudo, Liniers, Maitena, Mandrafina, Carlos Trillo, Eduardo Maicas, Saccomanno, Fábio Moon, José Muñoz, Carlos Sampayo, Carlos Nine, Lucas Nine, Diego Parés, Pietro, Diego Agrimbau, Eduardo Risso, Juan Sáenz Valiente, Pablo de Santis, Gustavo Sala, Salvador Sanz, Rodrigo Terranova, Pablo Túnica, Lucas Varela, Oscar Zarate, Susan Catherine e Fábio Zimbres.

Preço: R$ 59,00

Número de páginas: 160

Data de lançamento: Abril de 2012

 

Sinopse

Coletânea de histórias curtas publicadas pela revista argentina Fierro. Complementam a edição obras de artistas brasileiros.

Positivo/Negativo

A Zarabatana vem realizando um excelente trabalho ao trazer para o Brasil obras de artistas argentinos. Sua coleção Fierro, com álbuns como Dora, de Ignacio Minaverry, ou então a série Macanudo, de Liniers, vem preenchendo um vazio de publicações do país vizinho, tão tradicional na produção de quadrinhos.

O segundo volume da Fierro Brasil colabora para esse processo, publicando diversos autores em 160 páginas. Por si só, o álbum já merece estar nas estantes dos leitores de quadrinhos, ao trazer material inédito de uma grande variedade de gêneros.

O trabalho de edição do material, porém, poderia trazer mais elementos para os fãs, especialmente porque há muitos autores desconhecidos por aqui. Uma introdução apresentando os artistas, ou até mesmo algumas séries, cairia bem.

Faz falta também a edição de origem de cada história, algo tão caro para colecionadores. Apenas pela assinatura dos artistas nos últimos quadros pode-se ver que há uma variedade de épocas, que varia de 1987 a 2008…

A própria homenagem de Eduardo Risso a Carlos Trillo, pelo falecimento do autor em 2011, mereceria uma breve biografia deste talentoso roteirista.

O texto de Carlos Sampayo contando sobre sua história na edição é um exemplo de como mais artigos apresentando artistas, obras e características da historieta argentina ajudariam na compreensão dos leitores.

Como é grande a variedade de histórias, inclusive na qualidade – há trabalhos belos e irregulares -, abaixo estão enumeradas as que fazem merecer a leitura.

H x I, de Salvador Sanz, é uma inteligente crítica à ditadura militar argentina e uma poética homenagem a tantas famílias que foram despedaçadas pelo regime.

O autor constrói uma memorável história em duas páginas, ao propor a árvore genealógica de um bebê que foi separado de sua família pelo regime. No momento em que os documentos sobre a prisão de Rubens Paiva pela ditadura militar brasileira vêm à tona, é uma ótima leitura para reflexão sobre outro período da História latino-americana.

Os outros, de Horácio Altuna, é sobre imigração e globalização, e retrata em paralelo a vida de uma família espanhola e sua empregada imigrante. A trama desenrola-se mostrando o cotidiano entre pais muito ocupados, solidão, saudade, a velocidade do mundo moderno, contrapondo-se com a trama da doméstica que abandona sua família para poder enviar dinheiro para sustentá-la.

Muitas reflexões sobre a modernidade podem ser feitas, e mostra como faz falta a publicação de outras histórias de Altuna por aqui.

Fumo, de Sasturain e Breccia, narra um período da conquista da América Latina por grupos estrangeiros, e também da resistência indígena, com apenas um diálogo que percorre a trama: “O que é isso?” – “Fumo”.

Por intermédio dessa pequena conversa, o leitor consegue compreender muitas nuances do período da colonização europeia na América. Repleta de elementos visuais é uma história para se reler diversas vezes.

Júlia, de Susan Catherine e Oscar Zarate, trabalha sobre a sexualidade nos tempos modernos, com uma personagem que vai trocando de sexo diversas vezes no decorrer da vida, conforme os interesses do momento.

Ao lidar com a liberdade a cada período da vida de Júlia, vai construindo a realização dos seus desejos, apontando como o corpo pode ser mutável e a sexualidade aberta a múltiplas possibilidades. O avanço da medicina, amor, maternidade, entre outros, são temas que permeiam a trama.

Enfim, são muitos os motivos para ler Fierro Brasil 2. Fica apenas a sugestão de que, para o terceiro volume, textos e informações sobre as historietas argentinas façam parte da publicação. E que a Zarabatana continue por muito tempo trazendo este material para o público brasileiro!

 

Classificação:

4,0

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