FIERRO BRASIL – VOLUME 1

Por Eduardo Nasi
Data: 1 dezembro, 2011

FIERRO BRASIL - VOLUME 1

Editora: Zarabatana Books – Revista semestral

Autores: Max Aguirre, Horacio Altuna, Danilo Beyruth, Alberto Breccia, Juan Sasturain, Max Cachimba, Oscar Chichoni, Copi, Crist, Gustavo Duarte, Leopoldo Durañona, El Marinero Turco, El Niño Rodriguez, El Tomi, Fayó, Alfredo Flores, Marcelo Birmajer, Juan Giménez, H.G. Oesterheld, Guazzelli, Adão Iturrusgarai, Kioskerman, Liniers, Maitena, Mandrafina, Carlos Trillo, Eduardo Maicas, Saccomanno, Ignacio Minaverry, Carlos Nine, Lucas Nine, Parés, Podetti, Gustavo Sala, Santiago, Salvador Sanz, Ayar B., Tati, Tute, Pablo Túnica, Lucas Varela, Oscar Zarate, Susan Catherine e Fabio Zimbres. Tradução e edição de Claudio Martini.

Preço: R$ 59,00

Número de páginas: 160

Data de lançamento: Março de 2011

 

Sinopse

A primeira edição brasileira da revista argentina Fierro reúne histórias curtas dos autores dos dois países.

Positivo/Negativo

Originalmente, a Fierro é um dos títulos mais importantes dos quadrinhos argentinos. Não se trata de uma revista de autor, e sim de um mix – está bem mais perto do modelo da francesa Métal Hurlant e da norte-americana Heavy Metal. Artistas se revezam com histórias curtas, fechadas, que se encerram na mesma edição, e longas, que se estendem por diversos volumes.

A Fierro acaba servindo como um menu de degustação: dá pra ter uma provinha de cada autor, de cada estilo…

O destaque fica para o alto nível da curadoria editorial, que publica o que há de melhor naqueles pampas.

E daí se chega à importância que tem a Fierro aportar no Brasil. Ela é o primeiro passo no trabalho de consolidar os historicamente maltratados quadrinhos argentinos neste lado da fronteira.

Maltratados porque há bem pouco tempo, a oferta de quadrinhos argentinos por aqui andava rarefeita (e isso é eufemismo pra não dizer “só tinha umas Mafaldas encalhadas nas livrarias”). Tinha Quino, sim, e uma ou outra aventura editorial esparsa e, sem trocadilhos, malfadada.

Hoje, depois de uns anos batendo com a cabeça na parede, a cena mudou. Por caminhos fora do circuito tradicional (mais especificamente: das revistas femininas), veio Maitena, a desbravadora da nova geração.

Aí apareceram uns Trillo, uns Risso (na cola da arte dele no mercado norte-americano, em 100 Balas e Batman). E, via internet, Macanudo, de Liniers, começou a pipocar em blogs e e-mails.

Aqui, cabe mandar a modéstia às favas e chamar atenção pro papel dos sites especializados em quadrinhos (não só o Universo HQ, mas também o Omelete, o Blog dos Quadrinhos e outros), que começaram a catalisar e a difundir essas informações de forma mais ampla e estruturada.

Nesse momento, já se tinha definitiva certeza de que valeria a pena tirar os olhos das medialunas e das milanesas e olhar pros kioskos nas visitas às terras portenhas.

Foi o que o jornalista Paulo Ramos (do já citado Blog dos Quadrinhos) fez em uma série de reportagens e visitas – que acabaram gerando seu ótimo Bienvenido, uma obra de referência histórica e estética que pôs todos os pingos nos is e deu condições amplas de qualquer novato explorar uma comiquería com desenvoltura. Detalhe: pela mesma Zarabatana.

Agora, as livrarias brasileiras têm boas e variadas opções de HQs argentinas – quase tudo pela Zarabatana. Em breve, até El Eternauta, considerada obra-prima, deve ser lançada em português.

E é com esse cenário estruturado que a primeira Fierro Brasil chega.

A revista dá conta de apresentar um mundo parcialmente novo ao leitor brasileiro. São autores argentinos inéditos – misturados com alguns conhecidos e com um bem selecionado grupo de gente daqui.

É, acima de tudo e por si só, uma ótima revista em quadrinhos, com roteiros bem acima da média e artes excelentes. Valeria a pena só por isso.

Porque não faz sentido desprezar uma revista que tem um Lucas Varela, um Lucas Nine, um Carlos Nine (!), um Oesterheld (!), um Max Aguirre ou um Max Cachimba, um Ignacio Minaverry… Ou mesmo os nossos: Santiago, Gustavo Duarte, Adão (que publica na Fierro de lá), Danilo Beyruth, Zimbres…

Mas a Fierro Brasil é mais que isso: também é um aperitivo para que venham mais autores. É uma forma de tornar o Brasil familiar com os quadrinhos de lá, de testar estilos e gêneros, de apontar caminhos.

Na revista, pontua-se, só há histórias curtas e fechadas. As longas ficarão para a Coleção Fierro, que já estreou com o álbum Noturno – de Salvador Sanz, no caso, que está na edição.

O mapa da mina de consolidar os quadrinhos argentinos no Brasil foi dado. Cabe a todo o mercado explorá-lo.

Cabe à Zarabatana, por exemplo, dar conta de sua vantagem estratégica de ter a Fierro como parceira.

Às demais editoras, buscar as brechas e aumentar

Aos leitores brasileiros, correrem atrás dos álbuns, dos sites dos hermanos, de mais informação e mais quadrinhos.

Aos argentinos, se atentarem que é um momento importantíssimo, e abrir espaço e cavar oportunidades.

Em bom portunhol: a ideia de lançar no Brasil uma revista em quadrinhos como a Fierro é pra quem tem cujones. Claudio Martini, da Zarabatana, tem – até pela quantidade de vezes que o nome dele foi citado aí pra cima.

Porque é como diz o editor da Fierro argentina, Juan Sasturain, na carta dirigida ao colega brasileiro, Martini: “Que alguém se dedique, entre outras coisas, a publicar e admirar pessoas tão estranhas e magníficas é certamente prova de insanidade”.

Tomara que dê certo. Seria lindo ver que os argentinos chegaram pra ficar. Uns anos atrás, seria de fato insanidade. Agora, falta bem pouco.

Classificação:

4,0

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