Film and Comic Books

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 17 fevereiro, 2012

Film and Comic BooksEditora: University Press of Mississipi – Livro teórico

Autores: Ian Gordon, Mark Jancovich e Matthew P. McAllister

Preço: US$ 25

Número de páginas: 328

Data de lançamento: Junho de 2007

Sinopse

O livro é uma coletânea de artigos focando a relação entre as histórias em quadrinhos e o cinema.

Positivo/Negativo

Para o bem ou para o mal, os filmes baseados em histórias em quadrinhos já são parte integrante da vida dos amantes dessas duas formas de arte tão populares. Novas produções são lançadas a cada ano, levando multidões às salas de exibição e ajudando a popularizar personagens fantásticos.

Contudo, para a maioria do público são apenas duas horas de diversão esquecíveis, enquanto os aficionados certamente devem adquirir depois os blu-rays e produtos relacionados.

O livro Film and Comic Books, por outro lado, mostra uma face diferente da nona arte nas telonas. São 14 artigos selecionados, por autores diversos, explorando a questão sob o prisma da semiótica, psicanálise, fundamentos de marketing e Teoria da Comunicação, numa linguagem bem acessível e agradável.

Fugindo das discussões óbvias e investindo em gêneros diversos e produções mais obscuras de vários países, os artigos são verdadeiras aulas e sempre trazem algo novo para os apreciadores de quadrinhos e cinema. Não só de filmes baseados em HQs, mas também o caminho inverso, no caso de um capítulo sobre a minissérie Aliens assinada por Mark Verheiden e Mark A. Nelson, e até uma revista com montagens fotográficas do herói mexicano El Santo.

Assim, a obra forma um painel abrangente da filmografia mundial. A Alemanha, por exemplo, entra com Maybe… maybe not e The Killer Condom, baseados na obra de Ralf König, e a França aparece representada por Immortals, de Enki Bilal. Há até uma exploração dos mitos da Malásia, no artigo Old Malay’s heroes never die, provando o quão longe chega a influência da arte sequencial.

Mas é claro que os tradicionais superseres também não ficam de fora. Analisando as críticas sobre o primeiro X-Men na grande mídia, Mel Gibson (não o ator) apresenta um estudo consistente sobre como o mundo recebeu a invasão dos super-heróis, com o exemplo de um jornalista dizendo que “eles deviam saber seu lugar”, e como isso mudou já na sequência.

Ainda mais inspirado é um capítulo comparando as ideias de Corpo Fechado com a história Reign of Superman, primeira versão do personagem produzida por Jerry Siegel e Joe Shuster no fanzine Science Fiction, oferecendo reflexões interessantes sobre as duas obras.

Teen trajectories in Spider-Man and Ghost World aborda a questão da adolescência e do amadurecimento nos filmes Homem-Aranha e Mundo Cão, ressaltando as semelhanças e diferenças entre o blockbuster milionário e a produção independente baseada num quadrinho alternativo.

E essa diversidade continua com a análise de Anti-Herói Americano, o premiado filme da obra autobiográfica de Harvey Pekar, e uma visão crítica sobre os DVDs de Superman e Smallville que resgata até Umberto Eco ao tratar do kryptoniano.

Todos os artigos são muito bem pesquisados, e os autores apresentam uma base teórica impressionante. Escrevendo sobre super-heróis tradicionais ou autores independentes, os articulistas conseguem ampliar a visão sobre cinema e quadrinhos como nunca antes numa publicação do gênero. E oferecem muito a se pensar após a próxima sessão.

Classificação

4,5

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