Final Crisis

Por Marcus Vinicius de Medeiros
Data: 29 novembro, 2013

Final CrisisEditora: DC Comics – Edição especial

Autores: Grant Morrison (roteiro), J.G. Jones, Doug Mahnke, Carlos Pacheco, Matthew Clark, Jesus Merino, Marco Rudy, Christian Alamy, Tom Nguyen, Drew Geraci, Norm Rapmund, Rodney Ramos, Walden Wong, Derek Fridolfs, Rob Hunter e Don Ho (arte), Alex Sinclair, Tony Aviña, Pete Pantazis, David Baron, Richard e Tanya Horie (cores).

Preço: US$19,99

Número de páginas: 352

Data de lançamento: Junho de 2010

Sinopse

O novo deus Orion é encontrado morto na Terra, prenunciando uma era de horrores para a humanidade. Logo se inicia o reinado do perverso Darkseid sobre todos os seres vivos do planeta. E a batalha épica entre o bem e o mal travada pelo tempo e pelo espaço, coloca em jogo o destino de toda a Criação.

Positivo/Negativo

Há duas formas distintas de se entender a épica minissérie Final Crisis (Crise Final, no Brasil), que foi reunida pela DC neste encadernado de luxo. A primeira, algo frustrante, é enxergá-la como mais um capítulo da série de grandes eventos com os personagens da editora, dando continuidade aos temas de Crise nas Infinitas Terras, da década de 1980, e sua sucessora Crise Infinita, 20 anos depois.

Melhor, no entanto, é encarar a Crise Final como a palavra derradeira do roteirista Grant Morrison sobre os quadrinhos de super-heróis como os leitores os entendem, num trabalho muito pessoal que atualiza conceitos do “Rei” Jack Kirby e versa sobre o poder das histórias no universo concreto, ameaçado por ideias corruptoras.

É fato que a saga perdeu muito por conta de problemas editoriais diversos, já que o todo-poderoso Dan Didio não soube como apresentar a contento os conceitos de Morrison, resultando em sucessivos equívocos.

Por isso, o ideal é deixar de lado o que foi a série Contagem Regressiva para a Crise Final e as falhas criativas decorrentes. O autor escocês, em parceria com ilustradores diversos, compôs uma bela canção na forma de gibi escapista, que é muito melhor apreciado em sua forma mais pura.

Morrison sempre teve uma ligação única com Crise nas Infinitas Terras e suas consequências, lidando com ela já em seus primeiros trabalhos. O gibi independente Zenith e sua aclamada fase à frente do Homem-Animal abordaram questões da grande Crise, mas não para por aí.

De certo modo, a carreira do escritor pode ser vista como uma reação contra a tendência de fincar os super-heróis num universo mais frio e realista, tão em voga nos anos que se seguiram ao clássico de Marv Wolfman e George Pérez. Ele já disse que prefere redigir suas histórias como se vestisse um traje metaficcional que o transporte para dentro do Universo DC, agindo como um antropólogo e não um missionário.

Aí está o talento único de Grant Morrison e tudo que o posiciona à parte da “escola Alan Moore” de pensamento sobre os justiceiros uniformizados, e que já gerou clássicos como JLA e Grandes Astros – Superman. E pode-se afirmar que Crise Final, mesmo com seus problemas, é uma grande celebração dessa forma magnânima e criativa de encarar o universo dos quadrinhos.

A trama resgata elementos lançados por Morrison em sua coleção experimental de minisséries Os Sete Soldados da Vitória, com uma nova visão dos Novos Deuses e do Quarto Mundo. A amplitude cósmica garante um senso de grandiosidade e desespero poucas vezes alcançado nessas sagas típicas da DC, mas o destaque aqui não vai para sacrifícios heroicos e mundos sucumbindo.

Em especial nos capítulos de Superman Beyond, muito bem incluídos no volume único da minissérie, os super-heróis são entendidos em nível essencialmente simbólico, narrativas inspiradoras que extraem o melhor da humanidade e nos impulsionam rumo ao futuro, com o triunfo de tudo o que é belo, puro e justo.

É a abordagem que funcionou em obras mais alternativas, como Sandman, de Neil Gaiman, e Promethea, de Alan Moore, agora aplicada com força total aos super-heróis mais tradicionais da DC.

Crise Final também tem sua cota de cenas feitas sob medida para agradar aos fãs de carteirinha deste universo ficcional, tais como a Supergirl saindo no braço com uma Mary Marvel possuída e a interação do Arqueiro Verde com sua amada Canário Negro. O diferencial é que a história está anos-luz além de ser apenas isto.

Grandes mudanças para a cronologia da DC Comics foram a aparente morte de Batman e o retorno do segundo Flash, o veterano Barry Allen. Polêmicos por natureza, esses desdobramentos são esperados de mais um gigantesco crossover, e não devem prejudicar que se aprecie a investida de Grant Morrison por seus méritos próprios.

Na época, a DC lançou mais algumas minisséries e especiais relacionados, por autores distintos. A maioria deixou a desejar, sendo que apenas Crise Final – A Legião de Três Mundos, de Geoff Johns e George Pérez, sobressaiu como grande “orgasmo nerd” para fãs da equipe futurista.

No meio de uma linha editorial que gosta de chocar e fazer barulho, Crise Final brilhou por explorar o poder das ideias e por um olhar inovador sobre heróis clássicos. Sem dúvida, Morrison acertou de novo.

Classificação

4,5

• Outros artigos escritos por

.