FOLHETEEN

Por Mário César
Data: 1 dezembro, 2007


Título: FOLHETEEN (Devir
Livraria
) – Edição especial

Autor: José Aguiar (roteiro e desenhos).

Preço: R$ 26,00

Número de páginas: 48

Data de lançamento: Janeiro de 2007

Sinopse: Malu é uma adolescente e, como tal, se sente totalmente deslocada no mundo. Tudo que deseja é encontrar alguém que a compreenda, que não a trate como um mero pedaço de carne.

E ao leitor cabe descobrir o que se passa na vida e na mente desta carismática personagem com cabeça de triângulo.

Positivo/Negativo: A puberdade é um dos períodos mais irritantes da vida de qualquer ser humano: hormônios à flor da pele, a descoberta da sexualidade, um sentimento constante de não ter achado seu lugar no mundo, a necessidade de afirmação, a incompreensão dos pais, inúmeras crises existenciais… Enfim, ser adolescente é um pé no saco e José Aguiar conseguiu traduzir como poucos o cotidiano desta fase tão conturbada em um belíssimo álbum.

A publicação é resultado do I Concurso Internacional de Histórias em Quadrinhos, promovido pelo Senac-SP em 2005. Aguiar venceu com a história Ponto Final, cujos personagens eram os mesmos de sua tira Folheteen, publicada nos periódicos curitibanos Gazeta do Povo e Jornal do Estado.

Aguiar, então, selecionou e reinventou as melhores situações das tiras para compor uma trama inédita que conta como os personagens chegaram à situação apresentada na história premiada no concurso. Poderia ter se tornado um emaranhado sem sentido de boas piadas, mas o autor conseguiu costurar o roteiro com bastante fluidez e até deu mais profundidade para alguns temas abordados nas tiras.

Sem muitos rodeios, a história mostra os anseios de uma jovem de 15 anos em busca de alguém que a compreenda, nada mais. É simples e efetivo, abordando sem tabus questões como sexualidade e pais divorciados, sempre com um humor leve e ágil.

Além disso, os desenhos angulosos chamam a atenção. Bem diferente do que se vê por aí, as formas são simplificadas e geométricas para alcançar o máximo de expressividade que uma linha pode ter. Some-se isso às cores vibrantes e à excelente narrativa de Aguiar e o resultado é um carisma e uma humanidade surpreendentes para estes personagens com rostos triangulares.

A edição da Devir está bem caprichada, mas peca por não trazer nenhuma informação sobre a trajetória do autor. Aguiar já publicou em diversas revistas, foi um dos co-criadores do Gralha (uma paródia aos super-heróis que já rendeu até filmes), já teve trabalho publicado na França (a série Ernie Adams com roteiros de Wander Antunes) e só agora tem o devido reconhecimento por uma editora brasileira.

Resta agora o álbum ter o merecido sucesso comercial e que sirva de inspiração para mais iniciativas em busca de novos talentos nacionais, como foi o feliz caso do concurso promovido pelo Senac-SP.

Classificação:

4,0

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