Fracasso de Público – Adeus

Por Igor Toscano
Data: 18 janeiro, 2013

Fracasso de Público - AdeusEditora: Gal – Edição especial

Autor: Alex Robinson (roteiro e arte) – Originalmente publicado em Box Office Poison.

Preço: R$ 39,00

Número de páginas: 200

Data de lançamento: Março de 2011

Sinopse

Sherman pedirá demissão do emprego que odeia e se tornará um escritor? O desenhista Ed conseguirá uma carreira como profissional dos quadrinhos ou desistirá de seus sonhos? O veterano Irving Flavor irá reaver os direitos sobre o super-herói Nightstalker?

Jane e Stephen serão felizes em sua nova casa ou seu relacionamento está em perigo? Dorothy continuará uma pedra no caminho de todos? Quem são os misteriosos Meteon e Kid Cometa? E existe lugar melhor para esta saga terminar que em uma enorme convenção de quadrinhos?

Todas essas perguntas e muitas outras são respondidas neste desfecho de Fracasso de Público.

Positivo/Negativo

Quase um ano depois do lançamento do segundo volume, a Gal lançou o terceiro e último álbum de Fracasso de Público. Essa demora, ainda que crie expectativa para o final, quebra o ritmo de uma obra que é melhor quando vista como um todo, e que finalmente o leitor brasileiro pode desfrutar, após todas as boas críticas e aclamações recebidas pela HQ ao redor do mundo.

Enfim, as pontas soltas da trama serão todas amarradas. A maneira como é feito, porém, é o destaque do trabalho de Robinson. Estivesse ele preso ao mainstream, Fracasso de Público seria um épico: mais de 600 páginas de história. Haveria explosões, mortes (talvez até um retorno) e reviravoltas dramáticas, cheias de efeitos especiais.

Robinson é sutil, entretanto. Mantendo a coerência do seu mundo, calcado na realidade, existe muito drama envolvido. Há, sim, mortes, relacionamentos que surgem e que morrem, vidas que se cruzam e se separam. Mas é tudo natural e honesto.

Como a vida, as coisas acontecem devagar, de maneira inevitável, mas de forma alguma isso diminui o impacto que causam às pessoas. E os personagens de Fracasso de Público são pessoas, com seus medos e sonhos. Como ele mesmo diz, na voz de Ed: “muitas amizades terminam não em terremoto, mas em erosão”. Às vezes, a vida acontece.

O trabalho de caracterização é o verdadeiro motivo da grandiosidade da série. Seus diálogos são condizentes com o que foi apresentado até então. Os personagens ganham vida e fazem o leitor se identificar e torcer por eles. Não há mocinhos ou vilões.

Em vários momentos, o autor “expõe” os personagens ao final dos capítulos, impondo-lhes perguntas, revelando segredos e pensamentos. Após a ultima página da história ser virada, eles continuarão a existir, em algum local imaginário, com suas respectivas vidas.

Vale também ressaltar os méritos da narrativa, a maneira como ela se desenrola e vai prendendo a atenção. Ao criar diversas subtramas, o autor vai explorando cada vez mais a fundo as situações da vida. Não há mistério ou exageros: os personagens apenas precisam lidar com os mesmos problemas que qualquer outra pessoa. Ou seja, contas, sexo, comida, trabalho, chefes e colegas de quarto.

Há também a crítica à indústria dos quadrinhos, um tema que permeia a obra desde o início, chegando ao seu ápice aqui, vista pelos olhos de Ed e sua relação com o quadrinhista Irving Flavor (parcialmente inspirado em Jack Kirby). A convenção é um momento chave da trama, aprofundando os temas centrais e expandindo-os.

A arte de Robinson, ainda que deixe a desejar, é totalmente adequada. O volume final revela um estilo ainda mais parecido com Cerebus, de Dave Sim. Há uma clara melhora em relação ao início da obra e, ainda que não seja um desenho rebuscado e cheio de detalhes, o foco nas expressões dos personagens transmite bem as emoções, muitas vezes sem precisar de palavras. Além disso, há alguns easter eggs escondidos no meio da multidão – vale procurar.

A Gal mantém o bom trabalho dos volumes anteriores, mas precisa caprichar mais na revisão, pois passaram coisas como “trismestral” (p. 4) e “percebecem” (p. 189), além de erros de acentuação em porquês. Ponto para o emocionante texto introdutório, no qual o editor Maurício Muniz conta como conheceu e por que decidiu publicar Fracasso de Público, fala de sua recepção no Brasil e enaltece esta excelente ode aos quadrinhos, à condição humana e aos pequenos detalhes, que engrandecem a vida.

Classificação

4,5

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