FRACTAL

Por Ronaldo Barata
Data: 19 outubro, 2009


Autores: Marcela Godoy (roteiro) e Eduardo Ferigato (arte).

Preço: R$ 18,00

Número de páginas: 64

Data de lançamento: Novembro de 2009

Sinopse: Liel Lorca, perito criminal do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), é convocado pela Divisão Anti-Sequestro a tomar parte numa investigação envolvendo o desaparecimento de cinco rapazes.

Ao longo da investigação, Liel descobre que nos sequestros há um bizarro padrão de seleção entre as vítimas, envolvendo numerologia, cabala, maçonaria e os fractais.

Seu maior desafio, contudo, será lidar com o fato de o que começou como um caso de sequestro ter tudo para terminar com uma terrível sucessão de assassinatos que ele, talvez, não consiga impedir.

Positivo/Negativo: Fazer um thriller de suspense e mistério em quadrinhos é algo muito difícil. Mais difícil que na TV ou no cinema. Mais difícil que nos livros.

No cinema ou na TV, o telespectador só tem acesso às informações que o autor deseja que ele tenha.

Nos livros, o próprio texto cria um “muro” escondendo o mistério. É preciso que se leia tudo para saber o que as palavras narram, o que demanda tempo e disposição. E no caso da literatura, ler na ordem inversa nem sempre traz a compreensão dos fatos.

Já nos quadrinhos, pela sua própria característica de contar histórias usando texto e imagens, na maioria das vezes, “bater o olho” em uma das páginas finais já é o suficiente para revelar tudo. E não há nada que impeça o leitor de pular pro fim e, apenas folheando, descobrir o grande mistério.

Para que o leitor “abrace” a obra e a siga tal qual o autor a imaginou, para que haja suspense e mistério, antes de tudo é necessário que haja o envolvimento dele.

O leitor precisa imergir na HQ de tal forma, que seja capaz de esquecer que apenas algumas poucas páginas o separam da solução de todos os segredos.

E não pense que toda a dificuldade de se trabalhar no gênero fica sobre os ombros do roteirista. As imagens de cada quadro precisam ser muito bem construídas, pois ali estarão muitas das pistas para o leitor.

Desnecessário dizer que a narrativa – a sequência de quadros da HQ – é fundamental num caso como este.

Criar este clima de envolvimento, unindo bem a arte e o texto é difícil. Não são muitas as obras e autores que conseguem. Fractal está dentre esses poucos.

Não que a HQ seja inovadora ou genial. Na verdade, ela tem todos os “trejeitos” dos suspenses policiais tradicionais: crimes aparentemente absurdos e desconexos, detetives com o poder de dedução de um Sherlock Holmes e um romance conturbado no fundo.

Mas aí é que está a questão. Mesmo trabalhando num gênero tão desgastado pelos filmes de Hollywood e tão complicado de ser realizado nesse formato, a história envolve e diverte. E, pra quem pensava o contrário, tudo se desenrola no Brasil, mais precisamente em São Paulo, da maneira como as coisas são feitas aqui, na realidade, e não no CSI.

Marcela Godoy, a roteirista, apresenta um protagonista muito bem construído, com diálogos e situações bastante plausíveis (uma delas até real!), numa trama montada com competência e devidamente completada pela excelente arte de Eduardo Ferigato.

Claro que, por ser uma trama de suspense, não é conveniente dar mais detalhes da trama nesta resenha, mas, no final das contas, Fractal é uma ótima HQ nacional, com um nível de dedicação e pesquisa pouco visto no Brasil (leia os textos que fecham o álbum para entender melhor).

Vale cada centavo.

 

Classificação:

4,0

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