FRANGO COM AMEIXAS

Por Zé Oliboni
Data: 11 maio, 2009


Autora: Marjane Satrapi (roteiro e arte).

Preço: R$ 32,00

Número de páginas: 88

Data de lançamento: Maio de 2008

Sinopse: Neste álbum, Marjane Satrapi retrata outro membro de sua família, seu tio-avô, Nasser Ali Khan.

A história se passa em Teerã, em 1958, e conta os oitos dias de espera de Khan que decidiu morrer depois que sua esposa quebrou seu tar (instrumento musical similar a uma cítara indiana).

Positivo/Negativo: Existem inúmeras barreiras para se ler Marjane Satrapi. A primeira é não entender a cultura iraniana. Os costumes deles, a forma como se comportam e tudo mais é muito estranho para os ocidentais.

Depois, o desenho de Satrapi, em preto e branco e extremamente simplificado, sem sombreados, parece quase infantil para os nossos padrões. Mas, na verdade, esses deveriam ser alguns dos motivos que levam o leitor a buscar um álbum como Frango com Ameixas.

Os outros motivos se resumem em um só: Frango com Ameixas é uma HQ muito boa.

A história de Khan parece sem propósito num primeiro momento. Ele é um artista sensível que perdeu seu instrumento favorito, mas daí a decidir morrer por causa disso é, no mínimo, estranho.

Mas os dias que seguem relatados na HQ são cheios de pequenas revelações sobre a vida de Nasser Ali Khan. Mostram, entre outras coisas, a forma como ele enxerga seus familiares, se contrapondo ao futuro daqueles personagens, revelado sempre no momento narrativo exato.

Aos poucos, o leitor fica sabendo que, como toda tristeza, o desejo de morrer de Khan não vem do fato de seu tar ter sido quebrado pela esposa. Nem por ele não encontrar prazer tocando nenhum outro tar.

Como Nasser Ali Khan e o leitor descobrem em uma sequência de memórias, delírios e revelações, tudo está ligado à vida desgostosa que o protagonista leva com a esposa – uma mulher com quem se casou a contragosto – e uma velha história de amor mal resolvida.

Não vale a pena contar os detalhes, apesar de a trama não se pautar em surpresas. Mas ela tem uma revelação sutil no final, que fecha o círculo da trama. Certamente, Marjane Satrapi não tinha como saber se a história aconteceu mesmo dessa forma, já que deve tê-la ouvido de várias formas da família.

Mas ela soube transformar um drama familiar em uma grande história de amor, na qual não há vilões, apenas pessoas que aceitaram rumos que não eram para elas.

No geral, Frango com Ameixas é um belo conto de amor e pode muito bem servir de porta de entrada para o trabalho de Marjane Satrapi, já que é uma leitura mais curta e independente do que Persépolis.

Classificação:

4,0

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